Foto: Abiquim/Divulgação               

André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, afirmou que os resultados do setor químico têm sido alarmantes neste ano, período em que produção e vendas recuaram para o patamar mais baixo em 17 anos. “O Brasil está inundado por importações, sobretudo vindas de países asiáticos com competitividade artificialmente sustentada em matérias-primas russas adquiridas com preços favorecidos em razão da guerra no leste europeu, além da pressão inflacionária nos EUA, da desvalorização do Euro e do Dólar e do aumento das incertezas internacionais. Em meio a esse ambiente, diversos países desenvolveram planos de investimentos expressivos para estimular suas economias, em grande parte com contrapartidas ambientais.”

 

A contextualização do cenário atual da química, feita por Passos, ocorreu no dia 17 de outubro de 2023 durante o 1º Seminário Nacional de Política Industrial, realizado pela Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados, em Brasília, com o objetivo de debater perspectivas diversas e mobilizar os setores industriais em prol de soluções que fortaleçam a indústria brasileira que tem enfrentado uma série de mudanças em suas estruturas produtivas, em um momento de competição tecnológica intensa, disputas geopolíticas e crescente conscientização sobre as mudanças climáticas.

 

Como palestrante do painel ‘Experiências setoriais: oportunidades e desafios’, Passos ressaltou ainda que a indústria química nacional, que há poucos anos operava em patamares superiores a 85% de capacidade produtiva, hoje opera, em média, 67%. “Chegamos em um ponto que a perda não é exclusiva da indústria química, mas também do País e de toda sociedade. No 1º semestre de 2023, comparado ao mesmo período do ano anterior, a arrecadação das receitas administradas pela Receita Federal para o setor químico recuou 12%, o que corresponde a quase menos R$ 2 bilhões”, enfatizou o presidente, alertando que o momento é de risco crescente a empregos e investimentos. 

André Passos Cordeiro: “A situação atual da química requer senso de urgência e medidas emergenciais

e estruturantes para evitar o colapso do setor”

Foto: Reprodução I Câmara dos Deputados

Em sua apresentação, Passos também chamou a atenção ao fato de a indústria química brasileira ser a mais sustentável globalmente, mostrando que no Brasil, 82,9% da matriz elétrica é renovável, enquanto no mundo, esse percentual é de 28,6%. “A média de emissões do setor químico diminuíram 47% entre 2000 e 2016, porém, o recuo foi menor no período de 2000 para 2021 – 33% – justamente por conta da ociosidade das plantas do setor, disse o presidente da Abiquim, alertando inclusive sobre a origem dos produtos que têm entrado no Brasil, já que eles têm uma alta pegada de carbono.

 

Segundo Passos, o País se organizou e pagou caro para ter uma produção mais limpa. “Precisamos fazer valer essa nossa vantagem competitiva, sobretudo perante o mundo, e não permitir que essas importações continuem avançando de forma drástica. O potencial que o Brasil tem com o avanço da química dos renováveis, pode levar a indústria brasileira a um novo patamar de competitividade”.

 

A solução, segundo ele, para essa situação crítica passa pela incorporação das melhores práticas e experiências internacionais para elaboração de uma agenda de comércio exterior emergencial que responda aos desafios conjunturais imediatos, sobretudo no combate contra essas importações predatórias que têm deslocado o produto nacional no mercado doméstico e ameaçado a fabricação local de diversos produtos químicos estratégicos para várias cadeias de transformação, com risco, inclusive, de desativações.

 

Participaram ainda deste painel, André Stein, chief Strategy Officer da Eve Urban Air Mobility; Carlito Merss, gerente do Sebrae Nacional; Chico Saboya, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii); e Ana Paula Hauffe Torquato; gerente de Relações Institucionais da empresa WEG.

 

O evento, que também abordou os tópicos: ‘Política Industrial e a atuação dos bancos de desenvolvimento no contexto internacional’; ‘O papel do BNDES na Neoindustrialização’; e ‘Fomentando a inovação no setor industrial’, contou com a presença de representantes de universidades, órgãos governamentais, entidades empresariais e organizações de pesquisa em discussões sobre inovação, descarbonização, transição energética, digitalização, transformação tecnológica e a superação das desigualdades sociais.

 

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