
Crédito: ABQ/Divulgação
A Química pode despertar interesse em uma sala de aula, ganhar outro significado diante de uma reação em laboratório ou aproximar estudantes de diferentes partes do mundo. Para quatro brasileiros que conquistaram medalhas na XXX Olimpíada Ibero-Americana de Química, realizada em Fortaleza, no Ceará, essas experiências também fazem parte de uma trajetória de dedicação, descobertas e escolhas sobre o futuro.
Aos 18 anos, Ruan Cortês da Trindade, natural do Rio de Janeiro e estudante do Colégio Ari de Sá, em Fortaleza, começou a se interessar mais profundamente pela disciplina depois de um incentivo importante: um professor identificou seu potencial e o estimulou a participar de olimpíadas científicas. O interesse ganhou força na primeira aula experimental de Química. Ver compostos mudarem de cor durante uma reação e observar, na prática, fenômenos estudados na teoria despertou nele uma conexão com a disciplina que, segundo relata, era difícil colocar em palavras. O estudante conquistou a medalha de prata.
Para Breno Barros de Vasconcelos, também de 18 anos, aluno do Farias Brito, em Fortaleza, o caminho até a competição exigiu dois anos de preparação intensa. Durante esse período, chegou a dedicar cerca de dez horas por dia aos estudos. O maior desafio, conta, foi manter a motivação mesmo diante do cansaço e da rotina exigente. A persistência o levou à medalha de prata e reforçou seu interesse pela engenharia, especialmente na área de produção de medicamentos e pesquisa.
A experiência internacional também ampliou a perspectiva de Davi Lisboa do Nascimento, de 18 anos, que conquistou a medalha de bronze. Natural de Palmas, no Tocantins, e morando há dois anos em Fortaleza, onde estuda no Farias Brito, ele destacou o contato com estudantes de outros países como uma das experiências mais marcantes da Olimpíada. Em uma conversa com um estudante chinês durante uma competição em Moscou, Davi conheceu uma rotina de estudos que o fez refletir sobre a dedicação necessária para aprofundar o conhecimento. Para ele, as olimpíadas oferecem a oportunidade de ir além da preparação para provas e vestibulares, incentivando os jovens a explorar seus próprios limites.
Embora não pretenda seguir carreira diretamente na Química, Davi quer cursar engenharia e desenvolver soluções relacionadas a combustíveis e baterias elétricas, com foco em tornar a vida cotidiana mais prática e sustentável. A perspectiva de aplicar o conhecimento científico a desafios concretos também aparece nos planos de Marton Sousa Soares, de 18 anos, estudante do Colégio Master e morador de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, que conquistou a medalha de prata. Seu objetivo é ingressar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e se dedicar à área de energias renováveis.
Os quatro resultados brasileiros – três medalhas de prata e uma de bronze – celebram o desempenho dos estudantes na competição e mostram diferentes caminhos pelos quais a curiosidade, a dedicação e o contato com a ciência podem contribuir para a formação de jovens talentos. Para eles, a experiência internacional também representa uma oportunidade de ampliar horizontes e transformar o conhecimento adquirido em projetos para o futuro.
Sobre a Olimpíada

Crédito: ABQ/Divulgação
A XXX Olimpíada Ibero-Americana de Química foi realizada de 13 a 19 de outubro de 2026, em Fortaleza (CE), reunindo estudantes do ensino médio de 15 países da América Latina e da Península Ibérica. Organizada pela Associação Brasileira de Química (ABQ), com apoio da Abiquim, a competição tem como objetivo estimular o interesse dos jovens pela Química, valorizar o conhecimento científico e promover o intercâmbio entre estudantes de diferentes países.
A Abiquim valoriza e apoia iniciativas que incentivam a formação de jovens talentos e despertam o interesse pela ciência. Essas ações contribuem para preparar futuras gerações de pesquisadores e profissionais capazes de desenvolver novas tecnologias, impulsionar a inovação e criar soluções para os desafios da sociedade, fortalecendo a contribuição da indústria química para o desenvolvimento sustentável do Brasil.