Foto: Abiquim/Divulgação

Em encontro realizado no dia 17 de março de 2023, a Abiquim apresentou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em sua sede no Rio de Janeiro, todo o potencial do setor químico, bem como as oportunidades para alavancar o desenvolvimento do país.

 

Estiveram presentes na reunião José Luis Gordon, diretor de Indústria do BNDES; Flavio Moraes da Mota, chefe do Departamento de Indústria de Base Extrativa do BNDES; Márcio Henriques, gerente do Departamento de Indústrias de Base e Extrativa do BNDES; Paulo Gala, consultor e professor da FGV; André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim e Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Abiquim.

 

Entre os temas abordados pela Associação, a agenda estratégica da indústria química, dando ênfase às quatro missões – gás natural, energias renováveis, bioprodutos e saneamento -; competitividade; transição energética como oportunidade do país reindustrializar-se; sustentabilidade; investimentos na química dos renováveis; além dos principais eventos da Abiquim – Encontro Nacional da Indústria Química (ENAIQ) e Seminário Abiquim de Tecnologia.

 

André Passos Cordeiro ressaltou que a indústria Química Brasileira tem a convicção de que, aproveitadas as vantagens comparativas do Brasil, especialmente em recursos renováveis, conhecimento tecnológico e de produção, base produtiva instalada e fortes empresas aqui instaladas, poderá oferecer ao Brasil os seguintes resultados nos próximos anos:

Produção, Investimento, Renda e Arrecadação

▪ USD 5 bilhões ao ano de investimentos;

▪ Aumentar os investimentos em P&D para a média mundial (de 0,7% para 1,5% do faturamento líquido);

▪ Redução da capacidade ociosa de nossas plantas existentes de 30% para 10% em dois anos;

▪ Adicionar arrecadação de tributos em cerca de R$ 30 bilhões ao ano;

 ▪ Geração de cerca de 70 mil novos empregos.

 

 Participação no Comércio Internacional

▪ Aumentar a participação do Brasil no Mercado Mundial de produtos químicos para a média dos 10 maiores produtores (de 1,2% para 7%);

▪ Melhoria da Balança Comercial Brasileira – reduzindo o Déficit Comercial em Químicos de USD 65 bilhões para USD 30 bilhões nos próximos anos

 

Sustentabilidade e Circularidade

▪ Aumentar a participação do Gás Natural e da Biomassa na matriz de matérias primas e energia;

▪ Reduzir as emissões de gases de efeito estufa, visando neutralidade de carbono até 2050;

 ▪ Adotar compromissos voluntários com economia circular dos plásticos e dos químicos em geral. Apoiar a transição dos atuais modelos lineares para modelos circulares de produção e consumo;

▪ Melhorar os indicadores de reaproveitamento de resíduos.

 

Passos também apresentou uma proposta de elaboração de uma pauta de trabalho conjunta com o BNDES, baseada em quatro campos de atuação:

Em competitividade: a Construção do Plano de Incentivo à Indústria Química; a Atualização do estudo sobre a Diversificação da Indústria Química; e Estímulo ao Uso do Gás Natural como Matéria-Prima.

Em transição energética: Apoio às pequenas e médias empresas na ampliação do uso de energias renováveis, incluindo o biometano; e Estímulo à utilização de P&D para tecnologias de Captura e Armazenamento de Carbono (Carbon Capture and Storage em inglês, CCS) e Captura e Utilização de Carbono (Carbon Capture and Utilization em inglês, CCU)

Em Sustentabilidade: Mercado de Carbono; Certificação do Programa Atuação Responsável ®; e Circularidade de Materiais.

Química de Renováveis: Linhas específicas para soluções de coleta de biomassa; e

P&D para cadeias estruturantes.

Ao final da apresentação, José Gordon afirmou que as demandas da Abiquim são muitos convergentes com as áreas prioritárias de atuação da diretoria da indústria do BNDES, ressaltando que o setor industrial já foi 55% da carteira de financiamento do banco e que este percentual chegou a 16%. Ele disse ainda que o objetivo é trazer novamente o BNDES como um grande financiador do setor industrial e dentro deste contexto, já se encontram em processo de reconstrução das políticas de financiamento do banco para o setor privado, sobretudo o industrial.

O diretor do BNDES também acenou positivamente para estar junto ao ENAIQ 2023 como parceiro e, no que tange às missões, ele sugeriu uma conversa de nível técnico, em breve, no sentido de aprofundar os temas, assim como com relação ao mercado de carbono. Ou seja, novas rodadas para essa tratativa junto ao Departamento de Indústria de Base Extrativa do BNDES. Quanto às propostas da Abiquim sobre reciclagem, ele também sugeriu o envolvimento das Diretorias de Mercados de Capitais e Sócio-Ambiental do BNDES; além de sinalizar a avaliação do Banco dentro da consulta prévia da ANP sobre a especificação de gás natural.