No dia 26 de julho, a Abiquim realizou o webinar “Novos Modelos de Trabalho em Saúde, Segurança e Higiene do Trabalho em Tempos de Pandemia”. O evento gratuito e online – foi o quinto de uma programação especial que a Abiquim está realizando em celebração aos 30 anos do Programa Atuação Responsável® no Brasil.

 

Participaram do evento, Andréa Carla Cunha, Diretora Técnica da Abiquim; Camila Matos, gerente de Comunicação da Abiquim; Dr. Giancarlo Rodrigues Brandão, Gerente Executivo Médico do Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci – SP); Dra. Ana Carolina Peuker, CEO da BeeTouch Digital Health Startup e diretora de Mercado e Expansão da ABQV – Associação Brasileira de Qualidade de Vida e Rafael de Vasconcelos Dantas, Engenheiro na Elekeiroz. Na condução do debate, David William Fontes, Supervisor de Segurança Industrial da Umicore do Brasil e Vice-Coordenador da Comissão de Saúde, Segurança e Higiene da Abiquim.

 

Na abertura do evento, Andréa Carla Cunha ressaltou que a proposta do encontro foi orientar os associados e informar ao público os desafios enfrentados pelo setor produtivo para a manutenção da produção, em paralelo com a conservação da saúde do trabalhador. Ela destacou ainda o papel do serviço social e o risco psicossocial como um dos principais fatores emergentes, assim como o novo modelo de trabalho e a importância da comunicação corporativa.

 

Por fim, a diretora da Abiquim compartilhou um pouco das ações da entidade ao longo dos 2 anos de pandemia. “A indústria química foi considerada como setor essencial à saúde e ao combate da Covid-19 e, nesse contexto, a Abiquim elaborou um guia orientativo para auxiliar nossas associadas em como dar continuidade às atividades face a pandemia, através do alinhamento das questões da saúde e segurança do trabalhador, bem como na prevenção da Covid aos trabalhadores essenciais”, afirmou a executiva, complementando também a participação ativa da Abiquim nas questões de abastecimento de produtos químicos na pandemia, auxiliando o planejamento entre governo e indústria, como por exemplo na resolução de alguns gargalos na distribuição de oxigênio.

 

O primeiro palestrante, o médico Giancarlo Rodrigues Brandão explicou no detalhe o papel do Seconci, que atua há 58 anos no setor da construção civil e que só em 2021 registrou 1.270.064 atendimentos, seja na área assistencial, ocupacional e odontológica, além de serviços de apoio diagnóstico e terapêutico. 

Segundo o diretor, nos dois anos de pandemia a entidade intensificou seu trabalho desenvolvendo várias ações, entre elas, disponibilização de 15 mil testes rápidos no auge da doença, a participação no Comité de Crise, instituído pelo Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e produção de materiais informativos sobre cuidados e combate à Covid-19 para divulgação nas empresas e canteiros de obras e serviços sociais.

 

Como diferencial, Brandão relacionou ainda iniciativas que envolveram desde o suporte de medicina assistencial com médico especialista e apoio psicológico nos canteiros de obras até orientações do ponto de vista jurídico. “Em alguns casos fizemos até defesa técnica quanto à inclusão do risco biológico da Covid no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMCSO) dos clientes e auxílio quanto ao cumprimento de normas e diretrizes durante a pandemia da Covid -19, tais como A Portaria Conjunta nª 20 de 18.06.2020 e o Decreto 10.342 de 07.05.202, que define a construção civil como atividade essencial.

 

‘Crise mental não tem vacina e precisamos pensar numa cultura de segurança psicológica, pensando num EPI que é invisível, mas que é igualmente importante para a saúde e segurança do trabalhador’. Este foi um dos destaques da apresentação da Dra. Ana Carolina Peuker que abordou os fatores psicossociais que levam ao adoecimento mental e como todo esse cenário pode estar relacionado à realidade do teletrabalho.

“Sem dúvida que a Covid-19 acarretou, além de toda essa tragédia, inúmeras dificuldades não só na área sanitária. Ela fez com que as empresas olhassem finalmente para a falta da saúde mental das pessoas como uma questão, algo que já assolava as corporações de maneira silenciosa há décadas. Talvez nunca antes, do ponto de vista histórico, tenha se falado tanto em esgotamento mental, Burnout, ansiedade, depressão, estresse no trabalho porque sem dúvida, a pandemia afetou mentalmente as pessoas, afirmou Peuker. Ela disse também que até então, na grande maioria das organizações, a gestão de segurança e saúde ocupacional sempre se deteve em avaliações de riscos mais tradicionais, como os biológicos, os químicos e os físicos. “Por outro lado, ignoraram o ônus dos problemas do trabalho que estão relacionados a aspectos psicológicos.”

 

A boa notícia, continuou a médica, é que esses fatores psicossociais são gerenciáveis, desde que sejam medidos e controlados. “É preciso ter uma avaliação de potenciais fatores que podem desencadear um adoecimento mental desses trabalhadores considerando o que eu classifico  em 4 domínios: com uma abordagem baseada em ciência; uma abordagem tecnológica – usando a gestão inteligente de dados -; educação corporativa; e o compliance – ou seja, a base da legislação, respeitando não só as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, que relacionam os fatores psicossociais, mas também a ISO 45003, uma nova norma que além de apoiar a já existente NR 45001 , é a primeira norma internacional a fornecer orientações sobre a saúde psicológica e a segurança no local de trabalho”, explica Peuker. Ela ressaltou que se trata de um trabalho organizado, analisando o ambiente de trabalho e ajudando as empresas a definirem quais são os riscos e como identificar esses perigos, oferecendo medidas que podem ser tomadas para gerenciá-los da melhor forma possível.

 

Como responsável pela área de segurança de processos na empresa Elekeiroz, Rafael de Vasconcelos Dantas fechou o ciclo de palestras, mostrando as ações e ganhos que a empresa em que trabalha tem vivenciado com o teletrabalho em tempos de pandemia, ressaltando sobretudo o engajamento dos colaboradores. O objetivo estabelecido, segundo o engenheiro, foi trabalhar a comunicação em segurança de forma constante, resolvendo problemas complexos com o foco nas pessoas. “Empatia foi a principal ferramenta utilizada neste processo. Estabelecemos, portanto, alguns pontos que deveriam ser comtemplados como ações práticas, ou seja, implementar atividades que aplicassem conhecimento adquirido de forma rápida; gamification – uso de jogos e situações problemas com recompensas para aumentar interesse e envolvimento; manter os colaboradores visíveis, promovendo a interação entre as partes; e o uso de situações existentes para aplicação das comunicações, relatou.

 

Embora confesse que tenha sido desafiador, Dantas atribui o engajamento dos colaboradores ao formato lúdico e real com que as atividades laborais foram aplicadas. “Os vídeos de treinamento, por exemplo, foram elaborados, filmados e apresentados pelos próprios funcionários da Elekeiroz. Com relação aos jogos, todos os grupos eram formados por colaboradores de todas as áreas da empresa e de todos os sites. Tivemos até desafios em que as equipes deveriam reproduzir memes e/ou postagens de Tik Tok com foco no tema segurança. No geral, a soma de todas as ações gerou reconhecimento e senso de pertencimento, além de conscientização, visando a redução de condições e comportamentos inseguros, entre outros ganhos.

 

Conduzido por David William Fontes, o painel de debate entre os palestrantes e público complementou o encontro com um conteúdo enriquecedor. Para ver este webinar na íntegra, basta clicar aqui.

 

As demais lives já realizadas pela Abiquim também podem ser acompanhadas pelo canal oficial da entidade no Youtube, onde foram abordados os desafios, oportunidades, tecnologias e práticas sustentáveis na área de logística, mitigação dos efeitos e impactos de acidentes no transporte rodoviário de produtos químicos e ações de prevenção e preparação de comunidades que vivem no entorno das indústrias químicas.