Em um cenário de desafios e volatilidade global, a indústria química brasileira – como um setor de base – reafirma sua resiliência e a importância de ações estratégicas para sua manutenção e desenvolvimento. Em 2024, especificamente, o coeficiente de penetração de importações atingiu alarmantes 53%, um reflexo direto do surto de importações predatórias que ameaçava nossa capacidade produtiva e, consequentemente, milhares de empregos de alta qualidade no país.

A atuação técnica e decisiva do governo federal, foi crucial para reverter esse quadro. A inclusão de 30 produtos químicos estratégicos na DCC pela Camex, em outubro de 2024, resultou em uma importante redução no coeficiente de penetração de importações. Esta medida emergencial, com o aumento temporário das alíquotas, já surte efeitos positivos evidentes, com uma notável retomada do potencial produtivo setorial no Brasil após as decisões.

É fundamental compreender que nossa indústria atua como tomadora de preços no mercado internacional, impactada por flutuações globais do petróleo, nafta e gás natural – este último, com preços no Brasil que chegam a ser seis vezes maiores do que nos EUA. Diferentemente de países como a China, que subsidiam intensivamente sua indústria química, o Brasil dispõe de poucos incentivos.

Diante desse quadro, a elevação temporária das tarifas de importação provou ser uma ferramenta ágil e eficaz para mitigar os desequilíbrios, estabilizar os preços no mercado doméstico e, acima de tudo, proteger o potencial produtivo nacional. Nossa indústria demonstra uma notável recuperação da utilização da capacidade instalada, evidenciando o acerto das medidas implementadas. Continuaremos trabalhando incansavelmente pela defesa, inovação e competitividade do setor químico brasileiro.

André Passos Cordeiro

Presidente-Executivo da Abiquim