Seminário Indústria Química Brasileira foi realizado pela Abiquim com o apoio das empresas associadas à entidade; cerca

de 100 pessoas participaram do evento.

Foto: Abiquim/Divulgação

No dia 22 de maio de 2023 a Abiquim realizou a primeira edição do Seminário Indústria Química Brasileira, com o objetivo de apresentar as contribuições e oportunidades do setor para a transição energética e economia circular. O evento aconteceu na sede da CNI, em Brasília-DF, e contou com a participação de cerca de 100 pessoas, entre representantes de oito ministérios, quatro agências reguladoras, diversos outros órgãos do Poder Público, além de empresas associadas da Abiquim.

 

A agenda do evento contou com falas do presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro; da diretora de Qualidade Ambiental Substituta do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima – MMA, Thaianne Resende; e do diretor de Desenvolvimento da Indústria de Insumos e Materiais Intermediários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC, Leonardo Durans. Também palestraram os representantes da Chemvision – consultoria atuante nos segmentos de química, petroquímica e energia –, Carlos Lopes; Manuel Quintela e Luiz Marinho, além do economista e professor da FGV, Paulo Gala. 

 

Durante a abertura do evento, disponível na íntegra neste link , o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, destacou a importância do papel da indústria química no enfrentamento às mudanças climáticas, e reiterou o protagonismo do setor para as transformações das matrizes energéticas e na busca por soluções mais sustentáveis. “É preciso iniciar um trabalho de alinhamento entre o setor químico e os diversos setores com quem dialogamos, mostrando assim, de forma mais consistente, o que representamos”, destacou Cordeiro. 

A representante do Ministério do Meio Ambiente, Thaianne Resende, abordou o compromisso do Ministério e de toda a esfera governamental com as questões de sustentabilidade, destacando o rigor do controle de substâncias químicas que vem sendo adotado, a fim de constituir maior integridade e uniformidade para todo o setor químico. “Nosso compromisso com a segurança e com o desenvolvimento do setor químico é efetivo e, para tanto, vamos retomar a Convenção Nacional de Segurança Químicas – CONASQ. Essa é uma prova de que estamos abertos ao diálogo e queremos a participação de todos, para, de forma coletiva, chegarmos aos melhores acordos para o setor”, declarou Resende.

 

Para Leonardo Durans, do MDIC, a interface com a indústria química é fundamental para o Ministério, visto a relação de pautas relevantes para todo o setor industrial e que também são pontos táticos para a indústria química brasileira, como, por exemplo, toda a questão em torno do gás natural. “O Gás para Empregar é um projeto que tem como foco aumentar o uso do gás natural para a indústria química, reduzir a reinjeção do produto e transformá-lo em ator chave para todo o setor industrial. Queremos estudar novas estratégias para garantir o desenvolvimento da indústria química”, afirmou Durans.

À esquerda, Leonardo Durans; no centro, André Passos; e à direita, Thaianne Resende

Foto: Abiquim/Divulgação

Na apresentação da Chemvision, os especialistas Carlos Lopes; Manuel Quintela e Luiz Marinho pontuaram sobre a relevância e a estrutura do setor químico no ambiente industrial globalizado, ressaltando as contribuições e oportunidades no mercado brasileiro em relação às questões de transição energética e economia circular. Para os especialistas, fontes de energia renováveis e a vasta oferta de gás natural colocam o Brasil em um patamar de alto potencial competitivo, “mas é preciso, paralelamente, tratar de gargalos que impactam negativamente o processo produtivo, como o custo Brasil e a alta tributação econômica”, alertaram.

 

A tarde de palestras foi encerrada com a participação virtual do economista e professor da FGV, Paulo Gala, que falou sobre a complexidade do setor químico brasileiro. Paulo Gala discorreu sobre as vantagens competitivas do Brasil, sobretudo no que tange matéria-prima para o setor químico, o que contrasta diretamente com os entraves jurídicos e econômicos em voga. “O Brasil produz muitos produtos importantes, mas a escala industrial no nível de exportação não é relevante por conta dos problemas enfrentados. É preciso utilizar melhor a capacidade instalada que aqui já existe, pois há potencial para que o Brasil seja um dos principais players mundiais, mas, para isso é necessário sanar desafios, como a alta tributação. Não se trata, portanto, de reindustrialização completa, mas sim buscar uma nova industrialização, que possibilite alcançarmos patamares nunca antes explorados”, concluiu o economista. 

À esquerda, André Passos; e à direita Luiz Fernando Teixeira

Foto: Abiquim/Divulgação

O evento foi acompanhado pelo deputado estadual (PT/SP) Luiz Fernando Teixeira, que também exerce o cargo de coordenador da Frente Parlamentar de Apoio às Indústrias Química e Farmacêutica do Estado de São Paulo na Assembleia Legislativa. Para Luiz Fernando, o crescimento do Brasil está diretamente ligado ao fortalecimento da indústria química. “Pensando em reindustrializar ou neoindustrializar nosso país, se faz necessário cuidar, estimular e ampliar esta indústria de ponta, necessária para os demais ramos industriais e essencial para o crescimento e desenvolvimento do Brasil”, declarou o deputado em uma publicação em sua rede social após o evento.