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QMEET VISION - Abiquim apresenta agenda estratégica da indústria química para o próximo governo
Quarta-Feira, 02 de Setembro de 2026
A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) apresentou nesta terça-feira (1º), em São Paulo, a Agenda Estratégica da Indústria Química para o Brasil 2027-2035, documento que reúne as principais propostas do setor para o próximo governo e aponta os desafios que deverão estar no centro da agenda econômica brasileira nos próximos anos.
A agenda foi apresentada durante o QMeet Vision, encontro que reuniu lideranças da indústria química e imprensa. Participaram do evento o presidente-executivo da Abiquim, André Passos; Daniela Manique, presidente para a América Latina da Solvay-Rhodia; Francisco Fortunato, presidente do Grupo OCQ; Mariana Orsini, líder regional da Dow no Brasil; e Maximilian Yoshioka, diretor-presidente da Indorama Ventures Polímeros – LATAM.
Estruturada em seis missões, a agenda propõe uma visão de longo prazo para reposicionar a indústria química brasileira, combinando competitividade, política industrial, inovação, sustentabilidade e
segurança econômica. As propostas buscam criar condições para recuperar capacidade produtiva, estimular novos investimentos e fortalecer a participação do Brasil nas cadeias globais de valor.
As seis missões apresentadas pela Abiquim são:
1) Insumos e infraestrutura competitivos como política de Estado, com foco na oferta e nos custos de matérias-primas e energia, especialmente gás natural, além da infraestrutura necessária para ampliar a competitividade da produção nacional;
2) Demanda como indutor de investimento e de política industrial, utilizando o poder de compra do Estado e mecanismos de estímulo à produção nacional para gerar mercado, agregar valor e incentivar investimentos;
3) Transição produtiva para uma base integrada, a Nova Química, com estímulo à inovação, economia circular, reciclagem, química renovável, bioprodutos e soluções de baixo carbono, preservando a neutralidade tecnológica;
4) Defesa comercial, competição justa e segurança econômica, com o fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial e de mecanismos que assegurem condições equilibradas de competição entre a produção brasileira e produtos importados;
5) Ampliação do investimento e da inovação, criando condições para modernização, expansão da capacidade produtiva, aumento da produtividade, incorporação de novas tecnologias e reinvestimento no país;
6) Governança e coordenação institucional, com maior integração entre governo, setor produtivo e demais atores, além de previsibilidade regulatória e continuidade das políticas públicas de longo prazo.
O documento parte do diagnóstico de que a indústria química ocupa posição estratégica na economia brasileira, fornecendo insumos essenciais para setores como agronegócio, saúde, construção civil, automotivo, alimentos, infraestrutura e bens de consumo. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios estruturais relacionados a custos de energia e matérias-primas, ambiente regulatório, comércio exterior, investimentos e capacidade produtiva.
A proposta da Abiquim é que a política industrial seja tratada como uma agenda de Estado, com previsibilidade e continuidade, independentemente dos ciclos de governo. A entidade defende que o Brasil aproveite suas vantagens competitivas, incluindo sua matriz energética de baixa emissão e sua base industrial, para ampliar a produção nacional e avançar em inovação e sustentabilidade.
“A indústria química está na base de praticamente todas as cadeias produtivas e, por isso, discutir o futuro do setor é discutir o futuro da própria indústria brasileira. Estamos apresentando uma agenda que olha para 2027, mas principalmente para os próximos dez anos, com propostas concretas para aumentar a competitividade, estimular investimentos e fortalecer a capacidade produtiva do país”, afirma André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim.
Apresentação aos presidenciáveis
A agenda foi apresentada aos candidatos à Presidência da República como contribuição do setor químico ao debate sobre os rumos da economia brasileira. Mais do que reivindicações setoriais, a Abiquim busca colocar em discussão uma estratégia de desenvolvimento industrial de longo prazo, capaz de ampliar investimentos, gerar empregos qualificados, reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer a posição do Brasil nas cadeias globais de produção.
Daniela Manique, presidente para a América Latina da Solvay-Rhodia, destacou a necessidade de enfrentar os custos do gás natural como parte da agenda de competitividade da indústria. “O custo do gás natural é um dos principais fatores que comprometem a competitividade da indústria brasileira. Enquanto o gás chega a custar quatro ou cinco vezes mais no Brasil do que nos Estados Unidos e o dobro do preço praticado na Europa, é preciso rever a estrutura desse mercado. Precisamos criar condições para que esse recurso seja utilizado para produzir aqui, agregar valor e fortalecer a indústria nacional, e não apenas para exportar uma commodity”, afirmou.
Mariana Orsini, por sua vez, líder regional da Dow no Brasil, ressaltou o papel da inovação e da tecnologia na transição para uma economia circular. “A economia circular é uma agenda de futuro e exige que avancemos para além da lógica tradicional de produzir e colocar o produto no mercado. Já existem tecnologias e soluções para transformar produtos e embalagens em novos recursos, mas ainda há muito espaço para inovação. O Estado tem um papel importante na criação de condições e incentivos para que esses investimentos avancem, permitindo que materiais que hoje terminam como resíduos possam voltar a circular na economia”, afirmou.
O evento seguiu com foco na importância de que todos os pontos apresentados sejam parte de uma agenda de Estado, e não de governos específicos, como destacou Maximilian Yoshioka, diretor-presidente da Indorama Ventures Polímeros – LATAM. “O que estamos propondo é uma mudança estrutural, de política de Estado, e não apenas de política de governo. Precisamos reposicionar o Brasil na matriz de competitividade internacional, em condições de competir com países como China e Estados Unidos. A indústria brasileira tem conhecimento, tecnologia e capacidade para avançar em sustentabilidade, circularidade e inovação, mas precisa de condições competitivas e previsibilidade para fazer isso. Estamos prontos para fazer a nossa parte, mas é preciso criar as condições para que o Brasil volte a competir de igual para igual”, afirmou.
Por fim, Francisco Fortunato, presidente do Grupo OCQ, destacou que o setor privado mantém a disposição de investir no Brasil, mas precisa de condições para que os projetos sejam economicamente viáveis. “O empresário industrial brasileiro não perdeu o apetite de investir no país. Nós queremos ampliar capacidade, modernizar plantas, agregar valor, empregar e desenvolver tecnologia aqui. O que mudou nas últimas duas décadas foi a conta: projetos que antes fechavam, deixaram de se concretizar. Precisamos de condições para que a conta equilibre-se, com crédito de longo prazo e custo competitivo, mecanismos de depreciação acelerada e estímulos ao reinvestimento. Não estamos pedindo proteção, mas condições justas para competir. Temos capital, ativos, equipes qualificadas e disposição para continuar investindo no Brasil”, ressaltou.
Nesse mesmo movimento, a Abiquim também tem dialogado, em nível estadual, com lideranças do cenário no Rio de Janeiro, em São Paulo, na Bahia, no Rio Grande do Sul e em outros estados onde estão os maiores polos industriais do setor.
O QMeet Vision marcou também um movimento da Abiquim para fortalecer o diálogo com a imprensa e ampliar o conhecimento sobre a Agenda Estratégica 2027–2035, colocando as propostas e prioridades da indústria química no debate sobre o futuro da economia brasileira.
A BandNews acompanhou o QMeet Vision. Clique aqui e acompanhe a matéria.