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Estudo mostra caminhos para ampliar a competitividade e o protagonismo da indústria química
Quarta-Feira, 02 de Setembro de 2026
O Brasil tem recursos, mercado consumidor e capacidade produtiva para ampliar o protagonismo da indústria química, mas precisa enfrentar gargalos estruturais que vêm reduzindo a participação da produção nacional no atendimento à demanda doméstica. Esse é um dos principais diagnósticos do estudo “Panorama do Complexo Químico Brasileiro e Agenda Estratégica”, lançado pelo Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química (IdQ), em São Paulo, na segunda-feira (31).
Elaborado pela LCA Consultoria Econômica, com apoio da Macrotempo, o estudo apresenta um diagnóstico do complexo químico brasileiro e propõe uma agenda de medidas para fortalecer a capacidade produtiva, os investimentos, a inovação, a sustentabilidade e a competitividade do setor.
Os dados mostram que a indústria química mantém papel estratégico na economia brasileira. Terceiro maior setor do PIB industrial, o segmento gera cerca de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e decorrentes do efeito renda, além de apresentar salários acima da média da indústria e da economia brasileira e ocupar a sexta posição no ranking mundial.
Para o diretor-presidente do IdQ e gerente de Relações Institucionais da Abiquim, Marcelo Pimentel, o fortalecimento do setor está diretamente relacionado ao desenvolvimento do País. “A química é a base para o desenvolvimento de todo o restante da economia, é a base da indústria nacional”, afirmou durante o lançamento.
Entre os fatores que limitam o desenvolvimento da indústria química, o estudo destaca a desvantagem estrutural em matéria-prima, o elevado custo da energia elétrica, entraves regulatórios, concorrência desleal, mercado ilegal e falta de escala produtiva em segmentos estratégicos. O levantamento também aponta a necessidade de maior coordenação entre os órgãos públicos envolvidos em temas como matéria-prima, energia, crédito e regulação.
Química como cadeia habilitadora
O estudo destaca ainda o papel da indústria química como cadeia habilitadora de diferentes setores da economia. O segmento está diretamente relacionado a quatro das seis missões estruturantes da Nova Indústria Brasil (NIB): cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais; complexo econômico-industrial da saúde; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade; e bioeconomia, descarbonização e transição energética.
A indústria fornece insumos essenciais para essas cadeias, como fertilizantes, defensivos agrícolas e bioinsumos; insumos farmacêuticos ativos (IFAs) e reagentes; resinas, polímeros, cloro e coagulantes para infraestrutura e saneamento; além de materiais e soluções voltados à transição energética, à bioeconomia e à reciclagem avançada.
Para o professor Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES e responsável pelo estudo, o Brasil reúne ativos importantes para favorecer a expansão do setor, entre eles reservas de gás natural, matriz elétrica de baixa emissão, abundância de biomassa, biodiversidade e um amplo mercado consumidor. “O desafio está em transformar essas vantagens em competitividade, por meio de maior coordenação das políticas industrial, energética, de crédito e regulatória”, explicou.
Potencial de R$ 161 bilhões ao PIB
As simulações econométricas apresentadas no estudo indicam que a recuperação da participação da produção nacional no atendimento à demanda doméstica pode gerar impactos expressivos para a economia brasileira. Segundo as estimativas, a retomada desse mercado poderia adicionar R$ 161 bilhões ao PIB até 2036, gerar R$ 55 bilhões em massa salarial, criar 1,5 milhão de empregos e ampliar em R$ 38 bilhões a arrecadação tributária.
O levantamento aponta que a substituição de importações pode se transformar em uma oportunidade de desenvolvimento tecnológico e industrial, especialmente a partir dos recursos naturais e da capacidade instalada do País. Entre as oportunidades estão o avanço da bioeconomia e o desenvolvimento de uma petroquímica de baixo carbono.
Agenda para o próximo ciclo
A partir do diagnóstico, o estudo apresenta uma Agenda Estratégica para o fortalecimento do complexo químico brasileiro, com propostas que serão compartilhadas com parlamentares e candidatos nas eleições de outubro.
Entre as prioridades estão o aumento da oferta e da destinação do gás natural para uso petroquímico; o fortalecimento do suprimento doméstico de nafta; a expansão da produção de fertilizantes e IFAs; a melhoria e harmonização do ambiente regulatório; o combate à ilegalidade; a redução dos custos de energia e logística; a busca por isonomia tributária; e o fortalecimento da governança institucional.
A agenda também propõe a criação do Grupo Executivo para o Desenvolvimento do Complexo Químico (GECQ), vinculado à Casa Civil da Presidência da República e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), além de comissões temáticas permanentes com participação do Congresso Nacional, governo, setor produtivo, entidades representativas e sociedade.
Os resultados foram discutidos durante o lançamento por representantes das entidades que integram o IdQ - Abiclor, Abifina, Abiquim, Abiquifi, Abrafati, CropLife Brasil e Conselho Federal de Química. Para Marcelo Pimentel, a união de toda a cadeia será fundamental para avançar nessa agenda. “O caminho que temos de percorrer passa pela aliança do setor e de toda a cadeia. Essa união é uma condição para que haja força política e para que a gente consiga superar a visão de que a indústria é um custo”, afirmou.