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Notícias Abiquim

Mais oferta, menos custo: o caminho para transformar o gás em vetor de desenvolvimento

Quarta-Feira, 24 de Junho de 2026

André Passos Cordeiro participa de debate sobre os cinco anos da Lei do Gás e reforça a importância

do insumo para a competitividade, a neoindustrialização e a transição energética do país. A agenda

incluiu reunião com a ANP sobre especificação do gás e waivers à Petrobras


Crédito: FGV Energia/Divulgação

 

O Brasil possui reservas de gás em volume capaz de sustentar o desenvolvimento de sua indústria de forma soberana e reduzir, de maneira economicamente sustentável, sua dependência em cadeias produtivas estratégicas — em especial a química —, mas ainda convive com preços que comprometem a competitividade da indústria nacional.


A avaliação de André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, foi apresentada durante o lançamento do livro 5 Anos da Lei do Gás: Conectando o Brasil ao Futuro, realizado em 22 de junho pela FGV Energia, no Rio de Janeiro. A publicação reúne análises sobre os avanços e desafios do novo marco regulatório do setor (Lei nº 14.134/2021), voltado à ampliação da concorrência e à maior eficiência do mercado de gás natural. André Passos esteve entre os convidados a contribuir com a obra e participou do painel “Entre a Segurança Energética e a Descarbonização: Perspectivas para o Gás Natural”. Para o executivo, ampliar a disponibilidade de gás natural e reduzir seu custo para o setor produtivo é um passo fundamental para converter esse potencial em desenvolvimento econômico.

 

Cinco anos depois: avanços e desafios

Durante o debate, o presidente-executivo da Abiquim destacou que a Lei do Gás representou um avanço relevante ao endereçar questões históricas do setor, como a concentração de mercado, as barreiras de acesso à infraestrutura e a necessidade de maior previsibilidade regulatória. No entanto, observou que os resultados ainda estão aquém do potencial esperado.


André Passos Cordeiro destacou ainda o papel estratégico do gás natural na transição energética
Crédito: FGV Energia/Divulgação

 


Segundo ele, o principal desafio continua sendo transformar a disponibilidade potencial de gás natural em oferta efetiva para a indústria. Apesar das reservas expressivas, especialmente no pré-sal, parte relevante da produção ainda é reinjetada em função de limitações de escoamento, processamento e transporte.


Para a indústria química, maior consumidora industrial de gás natural no país, o tema é estratégico. O insumo é utilizado tanto como fonte energética quanto como matéria-prima, com impacto direto sobre custos de produção, competitividade internacional e decisões de investimento.


André lembrou ainda que o gás natural no Brasil pode custar até quatro vezes mais do que em mercados como os Estados Unidos, o que, na avaliação da Abiquim, reforça a necessidade de convergência a patamares internacionais, de forma a evitar perda de competitividade e estimular investimentos no setor produtivo.

 

Gás natural e transição energética

O presidente-executivo da Abiquim também destacou o papel estratégico do gás natural na transição energética. Além de apresentar menor intensidade de emissões em comparação a outros combustíveis fósseis, o insumo contribui para a segurança energética e a estabilidade do sistema, complementando a expansão das fontes renováveis.


Nesse contexto, ressaltou a importância de medidas que ampliem a oferta interna, incluindo investimentos em infraestrutura de escoamento e processamento do gás do pré-sal, além de avanços regulatórios que fortaleçam a concorrência e a transparência na formação de preços.


A Abiquim também defende o aproveitamento mais eficiente dos componentes presentes no gás natural, especialmente aqueles com potencial de uso como matéria-prima petroquímica, agregando valor à produção nacional e fortalecendo cadeias industriais estratégicas.


O debate reuniu representantes da Petrobras, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Abrace e da Energisa, em uma discussão sobre os desafios de equilibrar segurança energética, competitividade industrial e descarbonização.


Abiquim discute com ANP especificação do gás natural e segurança regulatória do suprimento

Ainda no dia 22 de junho, a Abiquim se reuniu com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em encontro com a Superintendência de Biocombustíveis e Qualidade de Produtos (SBQ), para tratar da agenda regulatória relacionada à especificação do gás natural.


Além de André Passos Cordeiro, participaram pela Associação o vice-presidente de Operações e Conformidade, Yhebert Gouveia Afonso, a assessora de Assuntos Econômicos da Gerência de Economia e Comércio Exterior, Paula Tanaka, e a consultora Fátima Giovanna. Pela ANP, estiveram presentes a superintendente Cristiane Zulivia de Andrade Monteiro, e o coordenador de Regulação de Qualidade de Produtos, Jackson da Silva Albuquerque, além da equipe técnica da agência.


O encontro deu continuidade às discussões sobre a Resolução ANP nº 982/2025, que estabelece as especificações do gás natural comercializado no país, tema acompanhado pela Abiquim no âmbito de sua agenda regulatória para o setor.


Passos reforçou a importância da manutenção de parâmetros técnicos adequados de qualidade do gás, considerando os impactos da composição do insumo sobre a eficiência energética e os processos industriais da indústria química, incluindo seu uso como matéria-prima.


Durante a reunião, foram discutidos ainda os desdobramentos relacionados às autorizações excepcionais (waivers) concedidas à Petrobras no âmbito da regulação vigente, aplicáveis a uma das rotas de escoamento do gás natural, bem como as condições estabelecidas pela ANP para apresentação e acompanhamento do plano de investimentos associado.


A ANP informou que o tema segue em análise, com a agência solicitando informações adicionais e detalhamentos à Petrobras para subsidiar a avaliação do plano e seus desdobramentos regulatórios, considerando seus impactos sobre o fornecimento e a qualidade do gás natural no mercado.