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Crise do enxofre mobiliza indústria química e governo federal
Quarta-Feira, 17 de Junho de 2026
A combinação de tensões geopolíticas, restrições logísticas e aumento da demanda global tem provocado uma forte escalada nos preços do enxofre e do ácido sulfúrico, insumos essenciais para diversas cadeias produtivas brasileiras. Diante desse cenário, a Abiquim participou, em 15 de junho, de reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para discutir os impactos da crise de abastecimento e avaliar possíveis medidas de apoio ao setor.
Durante o encontro, representantes da indústria química apresentaram um panorama da situação e alertaram para a elevada dependência brasileira das importações, que atualmente respondem por cerca de 92% do consumo nacional de enxofre. Rita Rodrigues, assessora de Assuntos Econômicos da Abiquim, destacou que os preços do insumo acumularam forte alta nos últimos meses, pressionando custos e afetando a disponibilidade de ácido sulfúrico no mercado nacional. Segundo ela, a situação exige atenção especial do governo, dada a relevância desses produtos para diferentes segmentos da economia.
As empresas participantes reforçaram que os impactos vão muito além da cadeia de fertilizantes. Paulo Sobrino, especialista da Nitro para a área de enxofre, chamou atenção para os riscos de interrupção do fornecimento e para as dificuldades enfrentadas pelas empresas na aquisição do insumo, que atualmente é negociado a preços recordes e, em muitos casos, mediante pagamento antecipado. Já Alex de Moura Campos, diretor de Estratégia, Inovação e Sustentabilidade da Elekeiroz, destacou que a escassez tem origem em fatores globais, como a redução da oferta em mercados estratégicos e o aumento da demanda internacional, especialmente para a produção de baterias.
Complementando o diagnóstico, Francisco Carrara, diretor executivo de Operações da Nitro Química, ressaltou os gargalos logísticos que afetam o comércio internacional do enxofre, incluindo as dificuldades de acesso ao produto oriundo do Cazaquistão. Ele observou ainda que, em cenários de escassez, grandes fornecedores tendem a priorizar seus mercados de origem, ampliando os desafios para países importadores como o Brasil.
Pelo governo federal, o diretor do Departamento de Desenvolvimento da Indústria de Insumos e Materiais Intermediários do MDIC, Carlos Leonardo Teófilo Durans, destacou que o tema vem sendo acompanhado por diferentes áreas da administração pública. Segundo ele, uma sala de situação coordenada pela Casa Civil monitora permanentemente a evolução da crise, com participação de diversos ministérios e órgãos federais. Durans também informou que o Itamaraty tem conduzido tratativas com países fornecedores para apoiar a manutenção do abastecimento e minimizar os impactos sobre a indústria brasileira.
Ao longo da reunião, houve consenso quanto ao caráter transversal da crise, cujos efeitos alcançam setores como saneamento, papel e celulose, alimentos, higiene, mineração e até mesmo a produção de insumos estratégicos para a defesa nacional. Como encaminhamento, ficou acordada a participação da Abiquim em reunião do Grupo de Trabalho sobre o tema, realizada em 17 de junho, quando a entidade apresentaria dados adicionais para demonstrar os impactos econômicos e industriais da escassez de enxofre e ácido sulfúrico no país.
Também participaram da reunião Ana Caroline Suzuki Bellucci, coordenadora-geral do Complexo Químico e Petroquímico do MDIC; Marcelo Pimentel, gerente de Relações Governamentais da Abiquim; Marcelo Grava, diretor Comercial da Elekeiroz; e Lucas Lucchesi, consultor sênior de Relações Governamentais e Institucionais da Seta Public Affairs.