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O desafio da soberania produtiva em um mundo em transformação
Terca-Feira, 02 de Junho de 2026
No Fórum de Lisboa, André Passos Cordeiro destacou como a reorganização das cadeias globais
e a disputa por recursos estratégicos estão redefinindo a competitividade das nações
“O pior preço é o preço de não ter o produto.” A reflexão foi feita pelo presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, durante sua participação no painel “Geopolítica e Relações de Poder sobre Recursos Naturais: Minerais Críticos e Cadeias Estratégicas”, realizado no dia 1º de junho, no XIV Fórum de Lisboa, em Portugal.
A frase sintetiza um dos principais desafios enfrentados pelas nações em um cenário marcado pela reorganização das cadeias produtivas globais, pela crescente disputa por recursos estratégicos e pela busca por maior autonomia econômica e industrial.
Promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), pelo Lisbon Public Law Research Centre (LPL) da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) e pela FGV Justiça, o Fórum de Lisboa reuniu autoridades, especialistas, acadêmicos e representantes do setor produtivo para debater o tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.
Ao longo do painel, André Passos destacou que o mundo vive uma profunda transformação dos modelos de produção e da organização industrial. Inspirado nas reflexões do economista Joseph Schumpeter, observou que novas tecnologias, mercados, matérias-primas e formas de integração produtiva estão redesenhando a economia global e alterando as relações de poder entre países.
Nesse contexto, defendeu que o Brasil precisa fortalecer sua capacidade de produzir e processar insumos estratégicos, reduzindo vulnerabilidades e ampliando sua participação nas cadeias globais de valor. Segundo ele, a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento industrial deve considerar questões fundamentais, como a dependência de fornecedores externos, a concentração de rotas de abastecimento e os riscos associados à interrupção do fornecimento de produtos essenciais.
Ao abordar os recentes desafios enfrentados pelo país em cadeias como a de fertilizantes, André ressaltou que a segurança de suprimento deve ser um dos pilares das estratégias nacionais de desenvolvimento. “O pior preço é o preço de não ter o produto”, afirmou, ao defender a construção de capacidades produtivas que garantam maior resiliência econômica e soberania nacional.
O executivo também destacou a importância dos marcos legais e programas estruturantes aprovados nos últimos anos pelo Congresso Nacional, voltados ao fortalecimento da indústria, à sustentabilidade e ao desenvolvimento de setores estratégicos, como minerais críticos, hidrogênio de baixa emissão de carbono, combustíveis renováveis e química sustentável.
Para André Passos, a indústria química e a manufatura avançada ocupam posição central nesse processo. Além de viabilizarem o desenvolvimento tecnológico e industrial, são fundamentais para setores estratégicos como energia, saúde, mobilidade, defesa e transição energética.
Ao encerrar sua participação, o presidente-executivo da Abiquim ressaltou que diferentes regiões do mundo vêm adotando estratégias próprias para fortalecer sua competitividade industrial e que o Brasil deve construir seu próprio caminho, apoiado em suas capacidades produtivas, recursos naturais e competências tecnológicas.
Além de André Passos Cordeiro, participaram do painel o deputado federal Arnaldo Jardim; Vinicius Mariano de Carvalho, professor de Estudos Brasileiros e Latino-Americanos do King's College London; Monique Sochaczewski, professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP); Anderson Baranov, presidente do Conselho Diretor do Simineral Pará; e Pablo Cesário, presidente interino e diretor-presidente do IBRAM. A moderação foi conduzida por André Cyrino, professor associado de Direito Administrativo da UERJ e advogado.
Clique aqui e acompanhe o painel na íntegra