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Nova conjuntura global reforça papel estratégico da política industrial, destaca representante do MDIC

Terca-Feira, 02 de Junho de 2026

Crédito: Abiquim/Reprodução

 

As transformações em curso na economia global e seus impactos sobre a competitividade da indústria brasileira estiveram no centro dos debates da reunião da Comissão de Economia e Competitividade da Abiquim, realizada em 26 de maio. O encontro teve como convidado especial, Felipe Augusto Machado, diretor de Programa da Secretaria-Executiva do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que apresentou uma análise sobre o papel das políticas industriais na nova conjuntura internacional.

 

Ao longo da exposição, Machado destacou que o cenário global vem passando por mudanças significativas nas últimas décadas. Segundo ele, crises financeiras, sanitárias, tecnológicas, comerciais e geopolíticas contribuíram para reposicionar o Estado como agente estratégico do desenvolvimento econômico, fortalecendo políticas industriais e tecnológicas em diversas economias.

 

Nesse contexto, o representante do MDIC ressaltou os movimentos realizados por grandes potências, como Estados Unidos, China e países da União Europeia, que têm ampliado o uso de instrumentos de política industrial, incluindo incentivos fiscais, financiamentos, compras públicas, exigências de conteúdo local e mecanismos de transferência tecnológica. Entre os exemplos citados, ganhou destaque a estratégia chinesa de desenvolvimento industrial, apontada como uma das mais abrangentes da atualidade, especialmente pelos avanços alcançados em setores estratégicos, como robótica, energia renovável, veículos elétricos e novos materiais.

 

Ao abordar o cenário nacional, Machado avaliou que o Brasil enfrenta desafios decorrentes de um longo processo de perda de participação da indústria na economia e de redução da complexidade produtiva. Nesse sentido, destacou iniciativas recentes associadas à Nova Indústria Brasil (NIB), como a retomada de instrumentos de apoio ao desenvolvimento industrial, à inovação e ao financiamento produtivo.

 

O palestrante observou, contudo, que a intensidade da competição internacional exige atenção permanente à capacidade de resposta da indústria brasileira. Entre os desafios apontados estão as assimetrias competitivas geradas por políticas de incentivo adotadas por outros países, especialmente em setores considerados estratégicos para o futuro da economia mundial.

 

Ao encerrar sua participação, Machado destacou que temas como soberania econômica, transição energética, minerais críticos e segurança econômica tendem a ganhar cada vez mais relevância na agenda internacional. Segundo ele, esse cenário reforça a importância de políticas voltadas ao fortalecimento da base industrial e tecnológica nacional, como instrumento para ampliar a competitividade, estimular a inovação e promover o desenvolvimento econômico de longo prazo.

 

O gerente de de Assuntos de Economia e Comércio Exterior da Abiquim, Eder Silva, pontua que políticas implementadas pelo atual governo, como o Nova Indústria Brasil, o Gás para Empregar, o REIQ e o Presiq, estão surtindo resultados no curto prazo. “O acerto dessas medidas ficou evidenciado nos dados de acompanhamento conjuntural do primeiro trimestre, mas o necessário ganho de competitividade da indústria química brasileira ainda exige atenção”, declarou. “O Brasil ainda precisa de um plano de desenvolvimento setorial que garanta agregação de valor local, adensamento e complexidade produtiva, e a Abiquim tem trabalhado com diversos stakeholders nesse sentido.”