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QUEM FAZ A QUÍMICA ACONTECER - “Sustentabilidade, segurança e competitividade precisam caminhar de forma integrada para fortalecer a indústria química”

Terca-Feira, 19 de Maio de 2026



Marcio Hideo Araki – vice-presidente de Operações e

Tecnologias para a América Central e do Sul da Evonik

Crédito: Evonik/Divulgação


Presente no Brasil desde 1953, a Evonik atua no desenvolvimento de especialidades químicas para diversos segmentos industriais, como automotivo, agroquímico, construção civil, cosméticos, farmacêutico, nutrição animal, plásticos e tintas. Com sede global na Alemanha, a companhia está presente em mais de 100 países, reúne cerca de 31 mil colaboradores e mantém no Brasil uma estrutura industrial e tecnológica voltada tanto ao atendimento do mercado local quanto de outros países da região. À frente das operações e tecnologias da empresa para a América Central e do Sul, Marcio Hideo Araki destaca os desafios relacionados ao aumento da competitividade da indústria química, à busca contínua por eficiência operacional, inovação e sustentabilidade, além da necessidade de adaptação às demandas dos mercados regionais e globais. Nesse contexto, reforça a importância da atuação integrada entre empresas, entidades setoriais e poder público para fortalecer a indústria química brasileira e impulsionar sua reindustrialização.

 

Como você avalia hoje o papel da Abiquim no apoio às empresas de pequeno e médio porte do setor químico?

A Abiquim exerce um papel muito importante na representação e no fortalecimento da indústria química brasileira, especialmente em um cenário de aumento da competitividade global e de necessidade de modernização do setor. A atuação da entidade em pautas ligadas à competitividade, inovação, sustentabilidade, segurança química e ambiente regulatório beneficia empresas químicas de todos os portes, incluindo pequenas e médias, que muitas vezes enfrentam maiores desafios para acompanhar transformações regulatórias, tecnológicas e de mercado.

 

A Evonik mantém uma parceria de longa data com a Abiquim, com participação ativa no Conselho Diretor, em diferentes comitês e iniciativas da entidade, contribuindo para discussões relevantes para o desenvolvimento da indústria química no Brasil. A empresa apoia ações voltadas ao fortalecimento de toda a cadeia produtiva e entende que a colaboração entre empresas, entidades setoriais e poder público é fundamental para ampliar a competitividade, estimular a inovação, promover o crescimento sustentável do setor e, principalmente, a reindustrialização da indústria química.

 

Sua empresa participa de programas como o Atuação Responsável® e o SASSMAQ? Como tem sido essa experiência?

Sim. A Evonik participa ativamente tanto do Programa Atuação Responsável® quanto do SASSMAQ, iniciativas que consideramos fundamentais para o fortalecimento das boas práticas de saúde, segurança, meio ambiente e qualidade na indústria química e em sua cadeia logística.

 

No Brasil, todas as unidades da Evonik são certificadas pelo Programa Atuação Responsável®, o que reforça o compromisso da empresa com a melhoria contínua, a gestão responsável e a sustentabilidade em suas operações. Além disso, nossas fábricas seguem práticas ecoeficientes e possuem certificações internacionais, como ISO 9001, ISO 14001 e ISO 50001.

 

Em relação ao SASSMAQ, a experiência também é bastante positiva. A Evonik participa ativamente das discussões e iniciativas relacionadas ao programa, inclusive por meio da atuação de representantes da empresa em comissões consultivas da Abiquim, além de adotar a certificação como critério de qualificação de parceiros logísticos. Entendemos que o sistema contribui de forma relevante para elevar os padrões de segurança, qualidade e gestão de riscos no transporte e na logística de produtos químicos, além de estimular a melhoria contínua em toda a cadeia.

 

Esses programas têm um papel importante não apenas na conformidade e na segurança operacional, mas também no fortalecimento da cultura de responsabilidade e sustentabilidade no setor químico.

 

Quais são hoje os principais desafios ou barreiras para aderir ou avançar nesses programas? Há algo que poderia ser aprimorado para facilitar a participação das empresas?

Programas como o Atuação Responsável® e o SASSMAQ são fundamentais para a evolução do setor químico, mas sua implementação e manutenção exigem dedicação contínua, investimentos e alinhamento entre diferentes áreas das empresas e da cadeia de fornecedores.

 

Um dos principais desafios está justamente na disseminação dessas práticas ao longo de toda a cadeia logística e operacional, especialmente entre empresas de menor porte, que muitas vezes possuem estruturas mais enxutas e menor capacidade de investimento em processos, treinamentos e adequações técnicas. Além disso, o ambiente regulatório e as constantes atualizações de requisitos demandam acompanhamento permanente. Em alguns casos, também há sobreposição de requisitos com normas como ISO 14001 e ISO 45001, o que pode tornar mais desafiadora a gestão integrada dessas diferentes certificações e programas pelas empresas.

 

Ao mesmo tempo, iniciativas de capacitação, compartilhamento de boas práticas e maior integração entre indústria, entidades setoriais e fornecedores podem contribuir para ampliar ainda mais o alcance e a efetividade desses programas. A troca de experiências e o apoio técnico são importantes para facilitar a evolução contínua das empresas em temas ligados à segurança, sustentabilidade e gestão responsável.

 

A Evonik entende que programas como esses têm um papel estratégico para fortalecer a competitividade e a reputação da indústria química brasileira, além de contribuir para operações cada vez mais seguras, eficientes e sustentáveis.

 

Na sua visão, de que forma iniciativas como essas contribuem — ou podem contribuir — para a competitividade, a segurança e a sustentabilidade do setor?

Iniciativas como o Atuação Responsável® e o SASSMAQ contribuem para elevar os padrões de segurança, gestão e sustentabilidade da indústria química, promovendo uma cultura de melhoria contínua em toda a cadeia produtiva e logística. Esses programas ajudam a reduzir riscos operacionais, aumentar a eficiência e fortalecer a confiabilidade das operações, fatores diretamente ligados à competitividade do setor.

 

Além disso, favorecem o alinhamento às exigências regulatórias e às crescentes demandas por processos mais seguros e sustentáveis. No caso do SASSMAQ, há também uma contribuição importante para a qualificação da cadeia logística e para a disseminação de boas práticas no transporte de produtos químicos.

 

Na visão da Evonik, iniciativas desse tipo fortalecem não apenas as empresas individualmente, mas também o desenvolvimento sustentável e a reputação da indústria química brasileira como um todo.

 

A empresa desenvolve alguma iniciativa, aprendizado ou case que possa inspirar outras empresas?

A Evonik vem desenvolvendo diferentes iniciativas voltadas à eficiência operacional, sustentabilidade e gestão responsável, sempre com foco na melhoria contínua de seus processos industriais e logísticos. Um dos exemplos é a fábrica de Biolys®, em Castro (PR), voltada à nutrição animal, cuja operação se aproxima da neutralidade de carbono. A unidade utiliza um processo biotecnológico de alta eficiência e livre de resíduos, além de operar com energia proveniente de fontes renováveis. Outro destaque é o trabalho contínuo de gestão de água, energia e resíduos realizado em todas as fábricas da empresa na região.

 

Além disso, a Evonik mantém, em Americana (SP), um Centro de Tecnologia Aplicada (ATC) dedicado ao desenvolvimento de soluções em parceria com clientes e outros agentes da cadeia produtiva. O espaço reúne laboratórios e plantas piloto voltados a diferentes segmentos industriais e reforça a importância da colaboração e da inovação para o avanço da indústria química.

 

Outro aprendizado importante é que sustentabilidade, segurança e competitividade precisam caminhar de forma integrada. A experiência da Evonik mostra que investimentos em gestão responsável e inovação contribuem não apenas para reduzir impactos e aumentar a segurança das operações, mas também para gerar ganhos de eficiência e valor para o negócio no longo prazo.