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Abiquim dialoga com Camex sobre impactos do cenário geopolítico na petroquímica brasileira

Quarta-Feira, 22 de Abril de 2026



Em reunião presencial ocorrida no dia 16 de abril em Brasília, a Abiquim e o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Rodrigo Zerbone, dialogaram sobre os impactos do conflito no Oriente Médio na indústria química brasileira, com foco especial na cadeia petroquímica.

 

Durante o encontro, André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, destacou o agravamento de um quadro estrutural de perda de competitividade da indústria nacional, intensificado pela alta recente da nafta em decorrência das tensões geopolíticas. Segundo ele, a forte dependência desse insumo - que responde por cerca de 61% da base produtiva brasileira - coloca o país em desvantagem em relação a concorrentes internacionais, como os Estados Unidos, que operam majoritariamente com gás natural (etano e propano), de menor custo.

 

Passos chamou atenção para o processo contínuo de desindustrialização do setor, evidenciado pela perda de cadeias produtivas relevantes e pelo fechamento de plantas industriais nos últimos anos. Nesse contexto, ressaltou o risco de avanço das importações sobre o mercado doméstico, com impactos diretos sobre a taxa de utilização das unidades produtivas e sobre a sustentabilidade do complexo petroquímico nacional.

 

Como caminho para mitigar esse cenário, a Abiquim defendeu a avaliação de medidas de defesa comercial, argumentando que produtores estrangeiros, operando com estruturas de custo mais favoráveis também em termos conjunturais, dispõem de margens que permitiriam absorver eventuais tarifas sem repasse representativo aos preços no mercado brasileiro. A entidade também reforçou que, no curto prazo, não há risco de desabastecimento, em vista da disponibilidade imediata de capacidade ociosa (média de 40% no final de 2025) e de que as principais origens de importações (EUA, demais países das Américas e China), que complementam o fornecimento de produtos químicos ao Brasil, não estarem impactadas operacionalmente pelo conflito no Oriente Médio.

 

Zerbone reconheceu a consistência dos argumentos apresentados pela indústria, em especial no que se refere à capacidade de absorção de custos por parte de produtores estrangeiros. Ressaltou, no entanto, que qualquer ação do governo exige a formalização rigorosa dessas evidências em processos específicos de defesa comercial, com análise técnica detalhada e garantia do contraditório entre as partes envolvidas.

 

A Abiquim seguirá avançando na consolidação de estudos técnicos que subsidiem eventuais pleitos junto às autoridades, com base em dados concretos sobre aspectos estruturais e conjunturais – preços, custos e dinâmica do comércio internacional – de forma a contribuir para decisões fundamentadas e alinhadas à preservação da competitividade da indústria química brasileira.