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Indústria química destaca vantagens competitivas e desafios estruturais em workshop sobre mercado de carbono
Terca-Feira, 07 de Abril de 2026
A Abiquim participou, no dia 01 de abril, do terceiro workshop técnico sobre a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), promovido pelo Ministério da Fazenda em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com apoio da Confederação Nacional da Indústria. O encontro teve como objetivo aprofundar o entendimento sobre o setor químico e avançar na construção de uma regulamentação alinhada à realidade da indústria brasileira.
Representando a Abiquim, Camila Hübner, gerente técnica, destacou a complexidade e a abrangência da indústria química, presente desde a produção de matérias-primas até o fornecimento de insumos essenciais para setores como agricultura, saúde e transporte. Em um cenário marcado por pressões geopolíticas, altos custos de insumos e aumento das importações, ela ressaltou os desafios estruturais enfrentados pelo setor, como a baixa utilização da capacidade instalada e o déficit comercial. Nesse contexto, enfatizou o papel estratégico do MRV (monitoramento, reporte e verificação) como pilar para garantir credibilidade, transparência e competitividade à indústria nacional.
Dados e projeções reforçam o papel do setor na transição climática
Na sequência, Carolina Sartori, coordenadora de Sustentabilidade da Abiquim, apresentou dados que reforçam o posicionamento competitivo do Brasil na agenda climática. Segundo estudos da entidade, a pegada de carbono da indústria química brasileira é entre 0,5% e 35% inferior à da Europa e pode ser até 50% menor em comparação ao restante do mundo. A executiva destacou ainda que o setor já opera com até 82% de energia proveniente de fontes renováveis e reduziu em 42% suas emissões nos escopos 1 e 2 desde 2005.
As projeções apontam que, até 2050, as emissões devem atingir 50,3 MtCO₂, em trajetória compatível com o crescimento do setor e com as metas do Plano Clima. Para viabilizar a neutralidade, Sartori apontou a necessidade de investimentos em tecnologias de baixo carbono. Estima-se que no ano da neutralidade climática, os investimentos acumulados sejam superiores a US$ 70 bilhões, além do avanço em quatro frentes estratégicas: ampliação do uso de matérias-primas renováveis, redução da dependência de fósseis com eletrificação e uso de biometano, liderança em tecnologias de captura e armazenamento de carbono (BECCS), além da reciclagem química e mecânica.
Ao abordar o sistema de MRV, Sartori destacou que o setor já possui maturidade, com ampla adoção de metodologias como o GHG Protocol, além de práticas consolidadas de reporte e monitoramento. Entre os principais desafios, mencionou a complexidade na gestão de dados, lacunas tecnológicas e a necessidade de capacitação. Como contribuições à regulamentação, defendeu a adoção de metodologias amplamente utilizadas, a inclusão do escopo 2 - refletindo o diferencial da matriz elétrica brasileira -, o fortalecimento de mecanismos de financiamento climático e a implementação de ajustes de carbono na fronteira para evitar vazamento de emissões.
As contribuições das empresas participantes e das autoridades presentes reforçaram a diversidade de processos produtivos e desafios de descarbonização na indústria química, além da importância de uma regulamentação que reconheça as especificidades do setor e preserve sua competitividade.
Ao final do encontro, foi sinalizada a continuidade do diálogo técnico entre governo e indústria para o aprimoramento das metodologias e dos instrumentos regulatórios do SBCE. Participaram do workshop representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), além de empresas do setor químico