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SELO VERDE BRASIL: Governo e indústria química lançam norma para produtos sustentáveis

Terca-Feira, 24 de Marco de 2026


Iniciativa liderada por Abiquim, MDIC, ABNT e ABDI estabelece critérios técnicos para avaliação ESG e reforça papel estratégico da química na transição para economia de baixo carbono


Na última sexta-feira (20), em Brasília (DF), foi lançada a primeira norma técnica setorial do Programa Selo Verde Brasil, voltada a polímeros de eteno de fonte renovável. A iniciativa foi apresentada pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), e marca um avanço relevante na construção de instrumentos que promovam transparência, credibilidade e padronização na avaliação de atributos ambientais, sociais e de governança de produtos.


O Programa Selo Verde Brasil busca estabelecer critérios técnicos claros e comparáveis que permitam reconhecer e valorizar produtos com atributos de sustentabilidade, fortalecendo políticas como as compras públicas sustentáveis e ampliando o acesso a mercados. A chamada norma “mãe” atua como base conceitual e metodológica, garantindo consistência e alinhamento nos critérios ESG e viabilizando sua aplicação em diferentes cadeias produtivas.


A norma técnica lançada para polímeros de eteno de fonte renovável representa um marco inicial na construção de referenciais específicos para produtos estratégicos da indústria química. Trata-se de um insumo fundamental, com ampla aplicação industrial, que tende a se disseminar por diversas cadeias produtivas, reforçando o papel da química como elo estruturante da economia.


Para a secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cruz, o componente ambiental deve ser entendido como vetor de competitividade e inovação. “O componente verde é uma vantagem da indústria brasileira e um motor de inovação. O Selo Verde cria padrões claros do ponto de vista ambiental, social e de governança e dá mais clareza sobre o que são produtos sustentáveis. Isso permite não apenas orientar o mercado, mas também estruturar políticas públicas e ampliar o acesso a novos mercados, incluindo as compras governamentais”, afirma.


Segundo a secretária, o foco inicial em polímeros de eteno de fonte renovável é estratégico, diante do potencial do Brasil em biomassa e na substituição de insumos fósseis. “O eteno verde é simbólico porque é uma matéria intermediária que se espalha por diversas cadeias. Estamos criando as bases para que esses produtos ganhem escala e sejam incorporados inclusive nas compras públicas ao longo dos próximos anos”, diz.


O presidente-executivo da Abiquim, André Passos, destaca que a construção do Selo Verde é resultado de um esforço coletivo e representa um compromisso estrutural do setor com a sustentabilidade. “Essa iniciativa não é apenas um instrumento de mercado. Ela representa um compromisso da indústria química com um novo padrão de produção, baseado em responsabilidade ambiental, uso eficiente de recursos e geração de bem-estar. Estamos falando de posicionar o Brasil não apenas como usuário de recursos naturais, mas como gestor responsável desses recursos, contribuindo para uma economia mais sustentável e inclusiva”, afirma.


Passos ressalta que o selo também dialoga com a construção de uma economia circular e com a necessidade de estruturar cadeias produtivas mais sustentáveis. “Estamos diante de um primeiro passo dentro de um sistema mais amplo, que envolve inovação, circularidade e novos modelos produtivos. A indústria química tem papel central nessa transformação”, completa.


Para o presidente do Conselho Deliberativo da ABNT, Mario William Ésper, a norma representa um avanço técnico importante. “Trata-se de uma norma construída por consenso, amplamente debatida, moderna e alinhada aos princípios de ESG. Ela incorpora conceitos de economia circular e cria bases para mensuração consistente de desempenho em uma economia de baixo carbono”, afirma.


Na avaliação do gerente da Unidade de Fomento às Estratégias ESG da ABDI, Rogério Dias de Araújo, o selo tem potencial para impulsionar toda a cadeia produtiva. “O Selo Verde é importante não apenas para valorizar produtos, mas para promover a industrialização ao longo de toda a cadeia de fornecedores. Ele estimula a economia verde de forma integrada e posiciona o Brasil de maneira mais competitiva no cenário internacional”, diz.


Transição energética

A partir desse contexto, amplia-se também o debate sobre o papel estratégico da indústria na transição para uma economia de baixo carbono. A indústria química, por sua natureza transversal, é essencial para o desenvolvimento de soluções sustentáveis, desde novos materiais até processos produtivos mais eficientes. A transição para uma economia de baixo carbono representa uma oportunidade histórica para o setor. Investimentos em inovação, eficiência energética e uso responsável de recursos naturais são fundamentais para garantir competitividade e sustentabilidade no longo prazo.


Estudo desenvolvido pela Abiquim sobre trajetórias para a neutralidade climática da indústria química brasileira aponta que o setor já avançou significativamente na redução de emissões, com queda de 42% desde 2005, além da adoção crescente de energia renovável e do uso pioneiro de biomassa como matéria-prima.


O levantamento também indica que o Brasil possui vantagens comparativas relevantes, como acesso a biomassa, matriz energética limpa e potencial para tecnologias como captura e armazenamento de carbono, que podem posicionar o país como líder global em soluções de descarbonização industrial.


Com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com 82,9% de fontes renováveis, a indústria química nacional emite cerca de 50% menos CO₂ por tonelada produzida em comparação a concorrentes internacionais. Nesse contexto, ampliar a produção química no Brasil contribui não apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a agenda climática global.


Para a Abiquim, iniciativas como o Selo Verde Brasil são fundamentais para criar um ambiente de negócios mais transparente, previsível e alinhado às demandas contemporâneas por sustentabilidade, inovação e competitividade. Ao estabelecer critérios claros e confiáveis, o programa contribui para orientar investimentos, fortalecer políticas públicas e posicionar o país de forma estratégica na nova economia de baixo carbono.