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Conflito no Irã pode elevar custos da petroquímica e fertilizantes no Brasil

Terca-Feira, 03 de Marco de 2026

Alta do petróleo, volatilidade cambial e possível restrição de

insumos reforçam vulnerabilidades estruturais da indústria química nacional

 

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) acompanha com atenção a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, e seus potenciais desdobramentos sobre a economia global e a indústria química brasileira.


Embora não haja, no momento, ruptura operacional nas cadeias de suprimento de produtos químicos que atendem ao Brasil, o impacto ocorre principalmente por vias indiretas e sistêmicas — energia, fertilizantes, petroquímicos básicos e câmbio.


O Irã produz cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia e o Estreito de Ormuz concentra aproximadamente 20% da oferta e 25% do comércio marítimo global de petróleo. Qualquer restrição prolongada ao tráfego na região pode pressionar o preço do barril Brent, afetando diretamente a nafta petroquímica — principal insumo da indústria química brasileira.


O Brasil é exportador líquido de petróleo, mas importador líquido de derivados, como diesel, GLP e nafta. Uma elevação sustentada do Brent tende a impactar custos industriais, fretes internacionais e inflação doméstica.


No caso específico da indústria química, a vulnerabilidade ocorre em quatro frentes principais:


Energia e petroquímicos básicos

A alta do petróleo eleva o preço da nafta importada, base para a produção de eteno e propeno via craqueamento. Caso o Brent suba US$ 20, o custo variável dos petroquímicos aumenta de forma relevante, podendo reduzir o spread petroquímico entre 10% e 25%, dependendo das condições de mercado.


Como o Brasil não dispõe da mesma competitividade em gás natural observada nos Estados Unidos (shale gas) ou no Oriente Médio, a indústria nacional perde competitividade relativa em cenários de choque energético.


Fertilizantes nitrogenados

O Irã é importante exportador de ureia e amônia. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Eventual restrição das exportações iranianas tende a elevar o preço da ureia nitrogenada, impactando diretamente o agronegócio, pressionando alimentos e encarecendo insumos nitrogenados utilizados pela própria indústria química.


Intermediários químicos e especialidades

O Irã é também grande exportador de metanol e intermediários como formaldeído, resinas termofixas, MTBE e ácido acético. Havendo restrição da oferta desses produtos, os preços globais tendem a subir, pressionando custos de produtores de resinas e especialidades no Brasil.


Câmbio e investimentos

Conflitos no Oriente Médio costumam gerar movimento de proteção para ativos considerados mais seguros, como dólar e Treasuries, resultando em desvalorização do real e maior volatilidade. Um câmbio mais depreciado favorece exportadores de commodities, mas encarece importações industriais e investimentos em CAPEX com equipamentos importados.



Texto

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.


Possíveis Cenários

Cenário 1 – Conflito limitado (mais provável)

Alta temporária do petróleo, volatilidade cambial moderada e impacto inflacionário controlável.

Cenário 2 – Bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz

Brent acima de US$ 100, pressão inflacionária global, aperto monetário mais longo no Brasil e impacto elevado sobre fertilizantes e nafta.

Cenário 3 – Escalada regional ampla

Choque energético persistente, redesenho das cadeias de suprimento e impacto severo sobre a indústria química global.

 

 

Agenda Estratégica

O atual cenário reforça a centralidade de pautas estratégicas para o País e para o desenho de eventuais políticas industriais voltadas à redução da vulnerabilidade energética em cadeias essenciais, bem como à diminuição da dependência de insumos importados — como a nafta petroquímica — e de produtos químicos estratégicos, a exemplo dos fertilizantes nitrogenados. Ao mesmo tempo, a Abiquim seguirá monitorando atentamente os desdobramentos do conflito, defendendo soluções diplomáticas e ressaltando a importância de políticas estruturantes capazes de ampliar a resiliência, a competitividade e a segurança produtiva da indústria química brasileira.