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EDITORIAL - 2026: o ano da implementação e das decisões responsáveis

Quinta-Feira, 15 de Janeiro de 2026

Na edição de número 1000, o presidente-executivo da Abiquim analisa o

cenário econômico e aponta prioridades para fortalecer a indústria química e o país

 

Por André Passos Cordeiro


Chegar à edição de número 1000 da newsletter da Abiquim é, por si só, um marco. Mais do que um número simbólico, ele representa constância, compromisso com a informação de qualidade e um diálogo permanente com todos aqueles que acreditam no papel estratégico da indústria química para o Brasil. Começamos 2026, portanto, “a mil” - com diálogo, responsabilidade e visão de futuro. Esse espírito também se reflete na nova logomarca da Abiquim, que traduz, em imagem e propósito, a essência do nosso trabalho: “A química que nos une” - empresas, pessoas, setores e o país em torno de uma agenda comum de desenvolvimento.


O novo ano se inicia com o Brasil diante de desafios conhecidos. A inflação ainda resistente, os juros elevados, o alto custo de produzir, a carga tributária crescente, a insegurança jurídica e o desequilíbrio fiscal seguem limitando a capacidade de crescimento do país. Esses obstáculos não são recentes - e tampouco intransponíveis. O Brasil já demonstrou, em diferentes momentos, que é capaz de avançar quando há clareza de rumo, diálogo e decisões responsáveis.


Não existe país forte sem uma indústria forte. É a indústria que gera empregos qualificados, impulsiona a inovação, amplia a competitividade e assegura autonomia econômica. Nesse contexto, a indústria química ocupa um papel central: está presente em praticamente todas as cadeias produtivas e em soluções essenciais para a vida das pessoas — da agricultura à saúde, do saneamento à mobilidade, da energia aos bens de consumo.


A indústria química brasileira é hoje a sexta maior do mundo e uma das mais sustentáveis do planeta. Ainda assim, enfrenta uma competição internacional desigual, custos estruturais elevados e a perda contínua de espaço para produtos importados. Em 2025, avançamos de forma relevante: fortalecemos o diálogo institucional, conquistamos medidas importantes de defesa comercial e celebramos a sanção do PRESIQ, um passo decisivo para a recuperação da competitividade e da capacidade produtiva do setor.


O ano de 2026 precisa ser o ano da implementação. Mais do que discutir a continuidade do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), o desafio agora é ajustá-lo e fortalecê-lo, de modo que seja capaz de responder, com efetividade, a um cenário econômico especialmente crítico. Com intensidade reduzida, o instrumento deixa de cumprir plenamente seu papel. Por isso, atuamos de forma técnica e propositiva junto ao governo para que o REIQ volte a ser um mecanismo compatível com as necessidades atuais do setor, ao mesmo tempo em que avançamos na regulamentação do PRESIQ — ambos fundamentais para a competitividade e a sustentabilidade da indústria química.


Precisamos também avançar na oferta de energia e gás natural a preços competitivos, assegurar segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma política fiscal orientada pela eficiência — e não pelo improviso. O Brasil precisa voltar a ser um país onde investir, produzir e inovar seja uma escolha racional e sustentável.


Esse não é um desafio de um único setor, tampouco de um governo. É um desafio do país. Exige convergência entre sociedade, setor produtivo e poder público, acima de ideologias, com foco no desenvolvimento sustentável, social e econômico. A indústria química está pronta para colaborar ativamente com essa agenda, oferecendo soluções, conhecimento e compromisso com o futuro.


Que 2026 seja um ano de construção, diálogo e decisões responsáveis. A Abiquim seguirá trabalhando por uma indústria forte — porque fortalecer a indústria é fortalecer o Brasil.