Conselho Executivo da entidade apresentou ao ministro Márcio Elias Rosa a Agenda Estratégica 2027–2035 e debateu temas como inovação,matérias-primas, gás natural, custo do capital e Custo Brasil

O Conselho Executivo da Abiquim recebeu, no dia 24 de setembro, na sede da entidade, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Rosa, para uma conversa sobre os desafios e as oportunidades para o fortalecimento da indústria química brasileira. O encontro teve como pauta principal a apresentação da Agenda Estratégica para a Indústria Química Brasileira 2027–2035, que reúne propostas para ampliar a competitividade, a capacidade produtiva e a contribuição do setor para o desenvolvimento do país.
A reunião começou com uma contextualização do cenário global da indústria química, com destaque para o papel da China no comércio internacional de produtos químicos e os impactos da concorrência externa sobre a produção e a situação financeira das empresas brasileiras. O presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, apresentou ao ministro a estrutura de governança da entidade e o funcionamento do Conselho Executivo.
Ao abrir a conversa, o ministro destacou a importância de ouvir o setor produtivo e afirmou que o governo federal vem discutindo iniciativas voltadas ao fortalecimento da indústria. Márcio Rosa observou que políticas industriais têm ganhado espaço em diferentes países e relacionou esse movimento ao atual cenário geopolítico, marcado pela fragmentação das relações internacionais e pela necessidade de ampliar e diversificar mercados.
A discussão avançou para os obstáculos estruturais à industrialização brasileira. Entre os pontos levantados estiveram a necessidade de ampliar os investimentos em inovação e pesquisa, fortalecer centros de pesquisa e formar pesquisadores. Nesse contexto, representantes das empresas ressaltaram a importância de uma política industrial consistente e citaram a experiência da Embrapa como exemplo da contribuição do Estado para o desenvolvimento de setores estratégicos.
O ministro mencionou as compras governamentais como um dos instrumentos capazes de estimular a produção nacional. André Passos relacionou como parâmetro o selo verde, destacando seu potencial de utilização do poder de compra do Estado para estimular a demanda por produtos mais sustentáveis e, ao mesmo tempo, valorizar soluções desenvolvidas pela indústria química brasileira.
Outro eixo da conversa foram as condições necessárias para ampliar os investimentos no país. Os representantes das empresas relataram desafios relacionados ao custo do capital, à insegurança jurídica, aos diferentes componentes do Custo Brasil e ao preço das matérias-primas. André Passos mencionou, ainda, um estudo em desenvolvimento com o BNDES que deverá aprofundar a análise dessas condições e contribuir para a discussão de medidas voltadas à competitividade do setor.
O gás natural, insumo estratégico para diversos segmentos da indústria química, também esteve entre os temas abordados durante o encontro, em razão de seu impacto sobre os custos de produção e a competitividade da indústria brasileira.
Ao final, a reunião reforçou a importância do diálogo entre o setor produtivo e o governo na construção de uma política industrial de longo prazo. A Abiquim e o MDIC sinalizaram a perspectiva de aprofundar, nos próximos meses, as discussões relacionadas à Agenda Estratégica 2027–2035 e às condições necessárias para fortalecer a indústria química brasileira.