Foto: Abiquim/Divulgação
Na tarde da última quarta-feira (19), a Abiquim se reuniu com sindicatos de trabalhadores e representantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) em um encontro com o Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
Na ocasião, foi entregue ao ministro a ‘Agenda propositiva dos trabalhadores da indústria química’, documento de caráter absolutamente estratégico da indústria química para o processo de reindustrialização por missões socioambientais e fortalecimento da soberania nacional, e que está em consonância com a ‘Agenda Estratégica da Indústria Química’ da Abiquim e com a ‘Pauta Conjunta dos trabalhadores da indústria química para o futuro’ (julho/2022), destinadas ao então candidato e hoje presidente Lula.
No encontro, foi apresentada ainda a agenda que vem sendo construída junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (SDIC) para a elaboração de medidas de defesa comercial e criação de condições de competitividade para os produtores nacionais de químicos.
(Da esquerda para a direita) André Passos Cordeiro e Alexandre Padilha
Foto: Abiquim/Divulgação
Dentro desse contexto, André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, enfatizou a necessidade de agir rapidamente para conter a situação crítica pela qual a indústria química vem passando nos últimos anos, intensificada pela Pandemia e pelo alto volume de importações provenientes de países asiáticos e que ganharam competitividade internacional por conta de terem se tornado destino de exportações de óleo e de gás natural russos, com o recuo da demanda europeia, como a Índia e a China. “Só no primeiro quadrimestre deste ano, os volumes de produção e vendas recuaram para o patamar mais baixo dos últimos 17 anos”, afirmou Passos.
Outra pauta destacada no encontro foi a regulamentação do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), que foi extinto abruptamente em julho de 2022, por veto presidencial que se contrapôs ao resultado das votações nas duas casas legislativas.
Segundo Passos, foi solicitado ao ministro Alexandre Padilha que discuta a questão junto ao Ministério da Fazenda, lembrando que o Reiq não pode ser visto como um benefício, mas como uma tentativa de redução da gigantesca disparidade de custos entre a indústria local e a internacional. “O imposto sobre o faturamento no Brasil é de 40% a 45%, enquanto os concorrentes nos Estados Unidos e na Europa pagam apenas 20% a 25%. O gás-matéria-prima custa três vezes mais no Brasil do que em países competidores. Isso sem mencionar o alto custo logístico e da burocracia”, destacou Passos complementando que a ausência da regulamentação aumenta impostos para a indústria e favorece a competitividade de importados.