No dia 06 de julho, a Abiquim realizou a live “Preparação e Atendimento a Emergências: o Programa Atuação Responsável® e a construção de comunidades resilientes”.  O evento gratuito integrou uma programação especial que a Associação vem promovendo em comemoração aos 30 anos do Programa Atuação Responsável® no Brasil.

 

Participaram do encontro virtual, Andréa Carla Cunha, Diretora de Assuntos Técnicos da Abiquim; Camila Matos, Gerente de Comunicação da Abiquim; Manuel Santos Dubra, Consultor do Apell de Cubatão CIDE (Centro de Integração e Desenvolvimento /CIESP (Centro das Indústrias de São Paulo); Marcelo Tubis Ludovico, Gerente Regional de Segurança, Saúde e Meio Ambiente para América Latina da Clariant; Samira Rosa, Coordenadora Operacional dos Projetos de Cidadania Corporativa para a Região da América Latina da Clariant; Carlos Eduardo Cordeiro Silva, Coordenador de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da Unigel no Polo Industrial de Camaçari, e Carlos Barbeiro, Coordenador Executivo de Segurança, Saúde e Meio Ambiente do Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC (COFIP ABC).

 

Na abertura do evento, Andréa Carla Cunha destacou o compromisso da indústria química, por meio do Programa Atuação Responsável® – AR, implantado no Brasil pela Abiquim em 1992, com o objetivo de impulsionar a melhoria contínua em saúde, segurança e meio ambiente juntamente com uma comunicação aberta e transparente com toda a sociedade.

 

A diretora técnica da Abiquim ressaltou ainda os constantes avanços do setor, demonstrados pelos Indicadores de Desempenho do Programa AR, além de celebrar o êxito das lives sobre logística, realizadas nos dias 01 e 28 de junho, como parte dessa jornada de comemorações.

 

O foco da primeira palestra foi o APELL (sigla traduzida e utilizada no Brasil como Alerta e Preparação de Comunidades para Emergências a Nível Local), programa Mundial da ONU/PNUMA (Organização das Nações Unidas/Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), hoje presente em mais de 30 países. Segundo Manuel Santos Dubra, o programa tem como um dos principais objetivos ajudar a minimizar os riscos ambientais, econômicos e com a saúde provocados por catástrofes – seja por ocorrências tecnológicas, resultantes de operações industriais, mineração ou transporte de substâncias químicas ou desastres naturais como terremotos, tsunamis, ciclone, enchentes, deslizamentos de terra, incluindo eventos climáticos – mediante a preparação e conscientização de comunidades de forma estruturada. Além de detalhar o modelo de implantação que envolve 10 etapas, o consultor do Apell de Cubatão afirmou que a sensibilização de todas as partes envolvidas no processo – comunidade, poder público e empresas do Polo – é o ponto de partida para o processo Apell. “A sensibilização constitui uma ação estratégica que antecede, sobretudo, o cronograma da implantação do programa”, disse ele, destacando ainda a importância das operações de simulação levando em conta cenários acidentais, tais como: transporte de produtos perigosos com resgate de vítima; desastre natural, com deslizamento de encosta e resgate de vítimas; e evacuação de moradores para ponto de encontro seguro.

 

Samira Rosa e Marcelo Tubis Ludovico falaram sobre a experiência Clariant com o Conselho Comunitário Consultivo (CCC) no site de Suzano (SP), onde está a maior unidade industrial da empresa na América Latina. Eles disseram que além de transmitir às comunidades do entorno informações relacionadas à segurança, saúde e meio ambiente referentes às operações da companhia, a Clariant ampliou esse escopo e utiliza-o também para tratar de questões relativas à orientação profissional e cidadania. O fortalecimento de laços entre comunidade e indústria é o grande desafio para o êxito desse trabalho, segundo os dois executivos. Para tanto, a Clariant estabeleceu o seguinte passo a passo: conhecer a comunidade; estabelecer o diálogo; interação entre comunidade, indústria e poder público; divulgação ampla do tema segurança, saúde e meio ambiente; presença e participação. Contratações de aprendizes e estagiários da comunidade no site da empresa, patrocínios a Olimpíada de Química, Semana da Profissões, além de campanhas solidárias e projetos culturais e de esporte estão entre as ações promovidas pela Clariant na comunidade de Suzano.

 

A último tema ficou a cargo de Carlos Eduardo Cordeiro Silva que fez uma apresentação sobre o Plano de Contingência da Dutovia (PCD), projeto que existe há 20 anos e que tem como principais metas: estabelecer procedimentos técnicos e administrativos em situações de emergência envolvendo os dutos e possibilitar ações rápidas e coordenadas de forma a minimizar os danos entre os envolvidos na faixa de servidão. Sob a gestão compartilhada das empresas Braskem, Dow, FAFEN, Transpetro, Bahiagás e Acrinor, a Dutovia possui 35 km de faixa de servidão e 28 dutos, integrando a Refinaria Landulfo Alves de Mataripe ao Polo de Camaçari e este ao Porto de Aratu.

 

Segundo Silva, a faixa de domínio da dutovia possui 50 metros de largura na área de influência do Polo, e 30 metros na área de influência da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (SUDIC) da Bahia. Possui ainda trechos aéreos e, em sua maioria, trechos enterrados em uma profundidade que varia entre 0,8 m e 3m. Nos trechos onde a dutovia passa abaixo de sistemas viários, cada duto é envolvido por um “tubo-camisa” para evitar que as vibrações possam afetar sua estrutura. O PCD, continua Silva, é gerenciado por 4 comitês: Gestão, Segurança, Socioambiental e de Integridade e Operação. Para além das ações que envolvem este escopo complexo, são desenvolvidas junto às comunidades locais oficinas sustentáveis, treinamentos de primeiros socorros, segurança no lar, projetos musicais, entre outras atividades. “Anualmente promovemos um encontro que tem como propósito a revisão dos resultados do ano anterior e o estabelecimento dos objetivos a serem alcançados para o ano em curso, além de aproximar a equipe entre os diferentes comitês e estimular a troca de experiência entre todos os envolvidos na Dutovia.

 

No debate que fechou o evento, coordenado por Carlos Barbeiro, várias questões foram levantadas, entre elas, como manter a motivação perene das pessoas, indicadores de aceitação das comunidades, mapeamento de stakeholders e como gerenciar a troca da gestão executiva no âmbito dos órgãos públicos.

 

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