Identificação
Trocar a senha
Cadastre-se
Título
APOIO:
ANUNCIE
AQUI
Abiquim Entrevista - Roberto Ramos, CEO da Braskem
Segunda-Feira, 31 de Marco de 2025
Abiquim Informa: O que o Sr. considera como principais marcos da sua trajetória profissional?
Roberto Ramos: Após ingressar no Grupo Novonor em 1995, participei de diversos programas de destaque da companhia no Brasil e exterior, como diretor financeiro da Tenenge e presidente da SLP Engineering, na Inglaterra. Fui o responsável pela área de Oléo & Gás da CNO e chairman da North Sea Production Company Limited. Na primeira passagem pela Braskem, assumi as vice-presidências de Desenvolvimento de Novos Negócios, de Competitividade Empresarial e de Negócios Internacionais. Fui, também, CEO da OOG (Odebrecht Oil e Gás).
Presidi a Amcham Rio de Janeiro e fui membro do Conselho de administração da OOG, além de responsável pelos projetos de exploração e produção de petróleo na Venezuela e em Angola. Antes de assumir como CEO da Braskem, tive mais uma vez o mesmo cargo na Ocyan, antiga OOG.
Sou formado em engenharia mecânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialização em gestão de negócios pela Harvard Business School e cursei, sem concluir, mestrado em finanças pela Universidade de Leicester.
AI: Na sua visão, como o setor químico pode evoluir para uma química sustentável?
RR: O futuro do setor petroquímico está na sustentabilidade. Com o ciclo petroquímico em baixa, vemos um importante movimento do mercado para aumentar os investimentos em bioprodutos.
A Braskem, por exemplo, é pioneira e maior produtora de biopolímeros do mercado, e continuará fortalecendo sua posição com o desenvolvimento de novas soluções renováveis, alavancando os atributos únicos que nos trazem diferenciação e resiliência diante dos ciclos petroquímicos.
Desde 2010, a Braskem oferece um portfólio de resinas de polietileno I’m green™bio-based para uma ampla gama de aplicações em diferentes setores, como embalagens de alimentos, brinquedos, calçados, entre outros. A companhia é pioneira na produção e comercialização de biopolímeros e tem o objetivo de expandir sua capacidade de produção de produtos bio-based para 1MMt até 2030.
Além de ser fonte verde e renovável, o plástico produzido a partir de etanol extraído da cana-de-açúcar desempenha forte papel no combate ao efeito estufa desde o início da sua produção. A cana-de-açúcar apresenta uma pegada de carbono negativa, ou seja, remove dióxido de carbono da atmosfera, o que reduz o impacto ambiental na produção da resina. Desse modo, o material contribui positivamente no enfrentamento das mudanças climáticas e, até mesmo, traz um crédito de carbono, que pode compensar a emissão de CO2 em outras fases dos processos de produção.
AI: Como o Sr. avalia as contribuições da Abiquim para a evolução no ambiente de negócios para indústria química nos últimos anos?
RR: A Abiquim é a voz do setor e vem desenvolvendo um trabalho importante para o desenvolvimento do mercado petroquímico brasileiro. É a voz das empresas, tanto em momentos delicados quanto em situações positivas. É uma entidade forte e séria, que tem credibilidade perante o governo, principalmente.
Temos, como uma das metas, fomentar a agenda de defesa da indústria química brasileira, buscando medidas que garantam a isonomia competitiva. Queremos uma indústria mais forte e com condições de se estabelecer no mercado de forma justa. Sabemos que precisamos manter o setor e continuar gerando emprego, renda, negócios, impostos, comércio e desenvolvimento econômico e social.
Avanços importantes, como o Reiq Investimentos e medidas de proteção a dumping praticado por países exportadores ao Brasil são iniciativas positivas e imensuráveis, fundamentais para fortalecer o mercado brasileiro e proteger a economia local. Também conseguimos, graças a essa relação, ofertar novos postos de trabalho, otimizar produção e expandir não só no Brasil, mas também no mundo.
A Abiquim é uma base forte para que consigamos levar a petroquímica brasileira para o mundo, estar presente em cada vez mais setores da nossa economia e lançar produtos que aliam sustentabilidade e produtividade. Ainda temos um longo e árduo caminho para percorrer, principalmente nesse ciclo de baixa que o setor está sofrendo, mas certamente estamos no caminho certo para encontrar os melhores caminhos para que a indústria petroquímica seja cada vez mais fortalecida.
AI: que o Sr. gostaria de destacar como mensagem relevante e estratégica da sua companhia?
RR: O objetivo da companhia é ser cada vez mais eficiente. Isso significa ter maior produtividade com o uso racional dos recursos e seguir investindo em ativos que dão retorno, além de focar em inovação e soluções sustentáveis.
Temos em nossos pilares de fundação a segurança – que é um valor inegociável –, pessoas e cultura e governança. Vamos pautar essa nova fase na resiliência e higidez financeira, implementando iniciativas táticas de mitigação dos impactos do ciclo de baixa da indústria, com iniciativas estratégicas, de defesa da indústria química brasileira e comerciais e de matéria-prima.
Também seguimos com foco na transformação, com ações para perpetuidade do negócio. Para isso, o “Switch to gas and fly up to green” é o nosso foco principal, com aumento da base gás (viabilização de projetos de aumento de capacidade base gás) e migração para o verde (implementação dos projetos bio-based).