Agenda Estratégica para a Indústria Química Brasileira2027–2035
A Agenda Estratégica da Abiquim organiza o caminho da indústria química brasileira até 2035 em torno de três eixos: complexidade econômica, efeitos multiplicadores e políticas orientadas por missões.
Seu propósito é transformar os recursos naturais e energéticos do Brasil em capacidades produtivas complexas, cadeias industriais de alto valor agregado e empregos qualificados, reduzindo dependências externas e posicionando o país como liderança global na nova economia industrial de baixo carbono.
A indústria química perdeu competitividade, e isso pode ser revertido
Entre 2007 e 2025, o Brasil trocou protagonismo industrial por dependência: o déficit comercial do setor saltou de US$ 13,3 bi para cerca de US$ 60 bi, enquanto investimentos produtivos recuaram de US$ 2,2 bi para apenas US$ 200 milhões por ano. A Agenda propõe reverter essa trajetória até 2035.
Déficit comercial químico
US$ bilhões · quanto menor, melhorDependência de importações
% da demanda doméstica · quanto menor, melhorUtilização da capacidade instalada
% · quanto maior, melhorInvestimento em P&D
% da receita líquida · quanto maior, melhorUma indústria de alta complexidade, com efeito multiplicador de quase 5×
A química combina diversidade de capacidades, exclusividade e conexões com dezenas de outras cadeias, da farmacêutica aos materiais avançados. Por isso, países com maior complexidade econômica são, em sua maioria, potências químicas.
Um choque inicial de R$ 41,3 milhões na produção química gera mais de R$ 83 milhões em efeitos diretos e indiretos, podendo alcançar quase R$ 197 milhões quando somados os efeitos de renda e investimento.
Mais produção química amplia a demanda por insumos em dezenas de setores a montante.
Empregos de qualificação acima da média industrial impulsionam o consumo das famílias.
A redução da capacidade ociosa estimula novos investimentos, alvo principal das missões desta agenda.
de atividade econômica ao longo das cadeias conectadas à indústria química: expansão de PIB, arrecadação e emprego qualificado.
Falhas estruturais que travam a competitividade
O Brasil reúne petróleo, gás, biomassa e matriz elétrica limpa, mas ainda não converte essas vantagens em custos competitivos. Quatro falhas concentram o problema:
Insumos estratégicos
Energia, matérias-primas petroquímicas e logística mais caras que nos principais polos industriais globais.
Regulação fragmentada
Processos lentos em ANVISA e demais reguladores, competências federais, estaduais e municipais pouco claras.
Financiamento escasso
Investimentos produtivos anuais caíram de US$ 2,2 bi para US$ 200 milhões em quase duas décadas.
Coordenação institucional
Políticas industrial, energética, climática e tributária seguem pouco integradas entre si.
Seis missões para reposicionar a química brasileira
A Agenda adota a lógica de políticas orientadas por missão: em vez de proteger setores isolados, articula insumos, demanda, defesa comercial, inovação e governança em torno de objetivos nacionais claros.
Insumos e infraestrutura competitivos como política de Estado
Transformar energia, matérias-primas e logística em vetores permanentes de competitividade.
Demanda como indutor de investimento e de política industrial
Usar compras públicas e formação de mercados para destravar investimento produtivo.
Transição produtiva: Nova Química
Integrar rotas fósseis e renováveis em uma base produtiva única e competitiva.
Defesa comercial e segurança econômica
Assegurar competição justa e reduzir vulnerabilidades em cadeias estratégicas.
Ampliação do investimento e da inovação
Financiamento de longo prazo, P&D e ecossistemas de biorrefino e bioeconomia.
Governança e coordenação
Integrar políticas públicas e criar instâncias permanentes de acompanhamento.
Pleitos organizados em três horizontes
Do ajuste regulatório imediato à construção de uma política de Estado permanente, a Agenda escalona suas propostas por complexidade, maturação e impacto.
- Simplificação regulatória: expandir a Análise de Impacto Regulatório e agilizar processos da ANVISA.
- Fortalecimento institucional: preservar autonomia técnica das agências reguladoras.
- Continuidade do PRESIQ: segurança jurídica para investidores de longo prazo.
- Governança territorial: integrar NIB, Plano Clima e mercado regulado de carbono.
- Ecossistemas de inovação: polos tecnológicos de química, bioeconomia e transição energética.
- Biorrefino nacional: integrar agronegócio, biocombustíveis, química e energia.
- Conselho Nacional de Competitividade Industrial vinculado à Presidência da República.
- Missões tecnológicas: fertilizantes, química renovável, carbono circular, CCUS.
- Política de Estado: coordenação permanente entre governo e setor produtivo.
Fortalecer a química significa ampliar a produtividade sistêmica da economia e reposicionar o Brasil como protagonista da química sustentável até 2035.