Abiquim · Associação Brasileira da Indústria Química

Agenda Estratégica para a Indústria Química Brasileira2027–2035

A Agenda Estratégica da Abiquim organiza o caminho da indústria química brasileira até 2035 em torno de três eixos: complexidade econômica, efeitos multiplicadores e políticas orientadas por missões.

Seu propósito é transformar os recursos naturais e energéticos do Brasil em capacidades produtivas complexas, cadeias industriais de alto valor agregado e empregos qualificados, reduzindo dependências externas e posicionando o país como liderança global na nova economia industrial de baixo carbono.

US$ 60 bi
déficit comercial químico em 2025
~50%
da demanda interna vem de importação
64%
utilização da capacidade instalada
~5×
retorno de cada real investido no setor
01

A indústria química perdeu competitividade, e isso pode ser revertido

Entre 2007 e 2025, o Brasil trocou protagonismo industrial por dependência: o déficit comercial do setor saltou de US$ 13,3 bi para cerca de US$ 60 bi, enquanto investimentos produtivos recuaram de US$ 2,2 bi para apenas US$ 200 milhões por ano. A Agenda propõe reverter essa trajetória até 2035.

Déficit comercial químico

US$ bilhões · quanto menor, melhor
2007
13,3 bi
Atual 2025
60 bi
Objetivo 2035
30 bi

Dependência de importações

% da demanda doméstica · quanto menor, melhor
2007
27%
Atual 2025
50%
Objetivo 2035
20%

Utilização da capacidade instalada

% · quanto maior, melhor
2007
87%
Atual 2025
64%
Objetivo 2035
90%

Investimento em P&D

% da receita líquida · quanto maior, melhor
2007
0,78%
Atual 2025
0,30%
Objetivo 2035
1,50%
2007 Atual 2025 Objetivo 2035

Uma indústria de alta complexidade, com efeito multiplicador de quase 5×

A química combina diversidade de capacidades, exclusividade e conexões com dezenas de outras cadeias, da farmacêutica aos materiais avançados. Por isso, países com maior complexidade econômica são, em sua maioria, potências químicas.

Um choque inicial de R$ 41,3 milhões na produção química gera mais de R$ 83 milhões em efeitos diretos e indiretos, podendo alcançar quase R$ 197 milhões quando somados os efeitos de renda e investimento.

i
Encadeamentos produtivos.

Mais produção química amplia a demanda por insumos em dezenas de setores a montante.

ii
Efeito renda.

Empregos de qualificação acima da média industrial impulsionam o consumo das famílias.

iii
Efeito dinâmico.

A redução da capacidade ociosa estimula novos investimentos, alvo principal das missões desta agenda.

Efeito multiplicador
Cada R$1 investido mobiliza quase R$5

de atividade econômica ao longo das cadeias conectadas à indústria química: expansão de PIB, arrecadação e emprego qualificado.

Fonte: análise de matriz insumo-produto · Agenda Estratégica ABIQUIM 2027–2035
02

Falhas estruturais que travam a competitividade

O Brasil reúne petróleo, gás, biomassa e matriz elétrica limpa, mas ainda não converte essas vantagens em custos competitivos. Quatro falhas concentram o problema:

01

Insumos estratégicos

Energia, matérias-primas petroquímicas e logística mais caras que nos principais polos industriais globais.

02

Regulação fragmentada

Processos lentos em ANVISA e demais reguladores, competências federais, estaduais e municipais pouco claras.

03

Financiamento escasso

Investimentos produtivos anuais caíram de US$ 2,2 bi para US$ 200 milhões em quase duas décadas.

04

Coordenação institucional

Políticas industrial, energética, climática e tributária seguem pouco integradas entre si.

03

Seis missões para reposicionar a química brasileira

A Agenda adota a lógica de políticas orientadas por missão: em vez de proteger setores isolados, articula insumos, demanda, defesa comercial, inovação e governança em torno de objetivos nacionais claros.

1

Insumos e infraestrutura competitivos como política de Estado

Transformar energia, matérias-primas e logística em vetores permanentes de competitividade.

2

Demanda como indutor de investimento e de política industrial

Usar compras públicas e formação de mercados para destravar investimento produtivo.

3

Transição produtiva: Nova Química

Integrar rotas fósseis e renováveis em uma base produtiva única e competitiva.

4

Defesa comercial e segurança econômica

Assegurar competição justa e reduzir vulnerabilidades em cadeias estratégicas.

5

Ampliação do investimento e da inovação

Financiamento de longo prazo, P&D e ecossistemas de biorrefino e bioeconomia.

6

Governança e coordenação

Integrar políticas públicas e criar instâncias permanentes de acompanhamento.

04

Pleitos organizados em três horizontes

Do ajuste regulatório imediato à construção de uma política de Estado permanente, a Agenda escalona suas propostas por complexidade, maturação e impacto.

2027–2028Curto prazo
  • Simplificação regulatória: expandir a Análise de Impacto Regulatório e agilizar processos da ANVISA.
  • Fortalecimento institucional: preservar autonomia técnica das agências reguladoras.
  • Continuidade do PRESIQ: segurança jurídica para investidores de longo prazo.
2028–2030Médio prazo
  • Governança territorial: integrar NIB, Plano Clima e mercado regulado de carbono.
  • Ecossistemas de inovação: polos tecnológicos de química, bioeconomia e transição energética.
  • Biorrefino nacional: integrar agronegócio, biocombustíveis, química e energia.
2030–2035Longo prazo
  • Conselho Nacional de Competitividade Industrial vinculado à Presidência da República.
  • Missões tecnológicas: fertilizantes, química renovável, carbono circular, CCUS.
  • Política de Estado: coordenação permanente entre governo e setor produtivo.
Fortalecer a química significa ampliar a produtividade sistêmica da economia e reposicionar o Brasil como protagonista da química sustentável até 2035.